Juiz tenta reverter venda de Scarpelini
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sábado, 15 de setembro de 2001
Maurício Borges 
O juiz da 2 Vara Cível de Apucarana, Katsujo Nakadomari, remeteu na quinta-feira carta precatória à Justiça de Cândido Abreu (Centro do Estado), solicitando que seja inviabilizada a transferência de propriedade da Fazenda Triângulo. A fazenda pertencia ao ex-prefeito de Apucarana Carlos Roberto Scarpelini (PSDB), que está com os bens indisponibilizados pela Justiça desde maio. A propriedade, apesar de ter sido comercializada em janeiro, poderá fazer parte dos bens bloqueados.
Na carta precatória, Nakadomari pede que seja oficiado ao Cartório de Registro de Imóveis, para vetar qualquer tipo de alteração na titularidade de propriedade do imóvel. A fazenda, de 155 alqueires, está avaliada em R$ 135 mil.
O promotor Eduardo Nagib Matni ouviu, na sexta-feira, o empresário José Usso, que confirmou ter comprado a fazenda de Scarpelini em janeiro. Ele explicou que já arrendava pastagens da Triângulo há vários meses e que adquiriu a propriedade em três parcelas: a primeira em janeiro e as outras duas para 2002 e 2003.
Matni disse que a indisponibilidade dos bens de Scarpelini foi decretada no dia 21 de maio. Mas, dependendo das circunstâncias, a medida poderá atingir os bens que o ex-prefeito mantinha em seu nome em data anterior.
O bloqueio de bens é resultado de uma ação proposta pelo município, que questiona a legalidade do repasse de R$ 885 mil ao extinto Apucarana Futebol Clube (AAC), nos anos de 1997, 1998 e 1999. As subvenções, como forma de apoio ao futebol profissional no município, tiveram autorização da Câmara de Vereadores, mas o Tribunal de Contas do Estado considerou os repasses ilegais.
Com o bloqueio da Fazenda Triângulo e de outros bens imóveis de Scarpelini, a Justiça espera assegurar recursos para, eventualmente, se comprovada a irregularidade, garantir o ressarcimento ao município.
Scarpelini disse ontem que comprou a fazenda do comerciante Oswaldo Daniel e que nem chegou a transferir o imóvel para seu nome. ''Apesar disso, não omiti a compra da fazenda, relacionando-a na minha declaração de Imposto de Renda do ano de 2000'', justificou.
Quanto à ação proposta pelo município, Scarpelini lembrou que dezenas de prefeitos de todo o Paraná fizeram repasses a clubes de futebol, com autorização do Legislativo, inclusive o prefeito Valter Pegorer (PFL), em sua gestão anterior.


