Mesmo tendo sido apontado o candidato à reeleição, o prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), foi condenado ontem por improbidade administrativa e perda do mandato. Na decisão, o juiz da 4ª Vara Cível de Foz, Belchior Soares da Silva, determinou também pagamento de multas, suspensão de direitos políticos e proibição de contratar com o poder público por 10 anos. O prefeito declarou, através de sua assessoria, que pretende recorrer da decisão.
A pena também se estendeu aos secretários municipais Paulo Ynoue e Adevilson Oliveira, ao deputado estadual Chico Noroeste (PFL) e ao federal Osmar Serraglio (PMDB), além de 11 vereadores. Todos terão de pagar multa e devolver o dinheiro aos cofres públicos, além de perder os direitos políticos por cinco anos.
A decisão do juiz foi anunciada um ano e meio depois de o MP ingressar com ação civil em relação a viagens particulares, supostamente pagas pela prefeitura, realizadas pelas pessoas citadas, juntamente com seus familiares. Os gastos foram efetuados entre janeiro de 1997 e maio de 1998 e chegaram a R$ 80 mil. Estão incluídas passagens para o Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Curitiba. Segundo o veredito, prefeitos e secretários ‘‘autorizaram a compra dos bilhetes sem que houvesse justificativa legal ou interesse público.’’
Daijó não quis falar ontem com os jornalistas, mas emitiu nota dizendo que vai recorrer da decisão judicial dentro dos 15 dias. O advogado do prefeito, Eliseu de Almeida Furquim, disse que a condenação foi em primeira instância e não teria execução imediata. No entanto, o prefeito deve ser afastado do cargo assim que for citado da decisão por um oficial de justiça.
Segundo o MP, paralelo à condenação, outros dois processos ligados ao chamado ‘‘escândalo das passagens’’ estão em fase final. Um deles cita o ex-secretário Adilson Rabelo com esposa e filha, o ex-vereador Alberto Holler e sete dos nove filhos do prefeito, todos acusados de realizar viagens particulares às custas do dinheiro público. Outro processo acusa o juiz de Direito Luiz Sérgio Neiva de Lima Vieira e sua esposa de também terem usado bilhetes custeados pela prefeitura para viajar a Curitiba.

mockup