Juiz se protege com lei do silêncio
O ex-presidente do TRT de São Paulo Nicolau dos Santos Neto foi interrogado ontem na CPI do Judiciário, não se recusou a assinar o termo de compromisso de dizer a verdade, mas acabou utilizando inúmeras vezes o recurso de permanecer em silêncio. Como por exemplo, quando o senador Carlos Wilson (PSDB-PE) perguntou-lhe sobre uma conta bancária numerada nas Ilhas Cayman, que movimentou aproximadamente US$ 30 milhões até fevereiro de 1998. A conta teria desaparecido quando o Ministério Público começou a investigar o suposto desvio de verbas públicas na construção do fórum trabalhista de São Paulo, obra inacabada que já consumiu mais de R$ 200 milhões.
Nicolau disse que seu patrimônio tem origem na família, que sempre foi rica. Quando estudei na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, já tinha um automóvel Lincoln Continental, coisa rara para a década de 50, disse, contrariando depoimento do ex-genro Marco Aurélio Gil de Oliveira. Deram crédito a alguém que queria apenas me extorquir, meu ex-genro é um pústula e será processado para resgatar a imagem da minha família, disse o juiz. Marco Aurélio foi ouvido pelos senadores e fez graves acusações ao ex-sogro. A renda do juiz aposentado é de R$ 8,8 mil líquidos.
O juiz também informou à CPI que ganha dinheiro com aluguéis de imóveis, mas não forneceu o valor dessa renda. Ele contestou as acusações de fraude na construção do fórum. Sobre o valor que já foi gasto com a obra inacabada (duas torres de 19 andares que devem abrigar mais de 100 juntas), Nicolau justificou ter havido muitos atrasos no pagamento das parcelas devidas à construtora. Alguns pagamentos teriam sido liberados, segundo o juiz, até 30 meses depois do prazo. A licitação foi iniciada em janeiro de 92 e a previsão de entrega era para 95.
O senador Carlos Wilson vai pedir à Interpol que sejam rastreados todos os depósitos e saques feitos por Nicolau em uma conta nas Ilhas Cayman. Sobre o depoimento, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse que quem não tem culpa não tem o que esconder.





