Apesar de ter pedido à CPI do Judiciário para depor, na tentativa de se defender das acusações de ter cometido inúmeras irregularidades, o interventor do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba, juiz Ruy Eloy, terminou confirmando parte dessas denúncias, ao responder às indagações dos senadores. Ele é acusado pelo Ministério Público de improbidade administrativa, prevaricação e nomeação fraudulenta de juízes classistas. O juiz está no cargo há 22 meses, por determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Para o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que assistiu parte do depoimento, o juiz ‘‘constatou as grandes imoralidades do tribunal da Paraíba’’. ‘‘Ele está tentando se defender e não está conseguindo’’, afirmou.
O juiz se omitiu de informar à CPI sobre a investigação das denúncias existentes contra o TRT, alegando que as acusações foram feitas antes de sua gestão. A pedido do senador Maguito Vilela (PMDB-GO), Eloy confirmou a veracidade da cópia de sua declaração de renda de 1996, publicada no jornal-tablóide ‘‘O Condor’’, distribuído no Estado.
A declaração mostra que ele possuía naquele ano bens no valor de R$ 793.312,95, sendo um apartamento, três casas e ‘‘parte’’ de uma casa, um imóvel rural com 70 hectares, dois imóveis em construção e cinco automóveis de marcas diferentes: picape Chevrolet, Apollo, Peugeot, Pointer e um Verona. O juiz tinha depositado em caderneta de poupança cerca de R$ 140 mil.
Depois de dizer que a cópia da declaração foi obtida de maneira fraudulenta, Eloy informou aos senadores que seu patrimônio foi adquirido ‘‘ao longo de 49 anos de trabalho’’. Ele confirmou que seus três filhos e a nora estão empregados no tribunal, mas que apenas a filha Romeyka Eloy Lobo teria sido transferida da prefeitura da cidade de Santa Rita. Os outros seriam concursados.
Também concordou que, na época em que coordenava os concursos públicos do TRT autorizou a compra de equipamentos de informática da empresa Infonews, pertencente a seu filho Heathcliff Eloy.

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