Curitiba - Continua hoje a audiência de instrução e julgamento do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho pela morte de dois jovens em um acidente de trânsito ocorrido em 7 de maio de 2009. Carli Filho não compareceu ontem à Segunda Vara do Tribunal do Júri de Curitiba para companhar os depoimentos das testemunhas de acusação. ''(A ausência) é um abuso do direito dele de não comparecer. Um desrespeito com a Justiça'', disse o advogado Elias Mattar Assad, que representa a família de Gilmar Rafael Yared, uma das vítimas do acidente.
Ontem foram ouvidas 16 pessoas, todas convocadas pelo Ministério Público, que é responsável pela denúncia contra o ex-parlamentar. Segundo Assad, os depoimentos foram semelhantes aos já colhidos pela polícia durante o inquérito. A exceção seria o do médico Eduardo Silva, que jantou com Carli Filho na noite do acidente. ''Houve um pouco de contradição em relação ao que ele havia declarado para a polícia'', avaliou Gilmar Yared, pai de Rafael.
Segundo Yared, o médico disse que havia aconselhado Carli Filho a não dirigir, mas não confirmou que ele estivesse embriagado. Ele também teria dito que das quatro garrafas de vinho cobradas na mesa em que ele estava, uma não teria sido consumida e outra teria ficado pela metade.
Para Assad, apesar disso e da exclusão do julgamento do exame de sangue que detectou que o ex-deputado estava alcoolizado, o caso deve ser enviado ao júri popular. Nesta sexta-feira a audiência continua com o depoimento de mais duas testemunhas de acusação e outras doze convocadas pela defesa.
Outras seis pessoas arroladas no processo como testemunhas de defesa serão ouvidas por carta precatória. Já o depoimento dos deputados estaduais Durval Amaral (DEM) e Valdir Rossoni (PSDB) foi dispensado pelos advogados do ex-deputado.
A previsão é que Carli Filho seja ouvido depois de concluídos os depoimentos. O advogado dele, Roberto Brzezinski, no entanto, afirmou ontem que seu cliente só irá depor se intimado. Para Assad, a ausência de Carli Filho na audiência ''não quer dizer que não deva comparecer para ser interrogado já que se trata de ato obrigatório e indispensável''.
Depois de todos os depoimentos, o juiz que preside o caso, Daniel R. Surdi de Avelar, deve determinar se o caso vai a júri popular. A previsão é que isso aconteça entre 20 a 40 dias após a conclusão da audiência.
Ontem a audiência do caso começou por volta das 9h30 da manhã e foi encerrada pouco antes das 17 horas. O juiz que presidiu os trabalhos não permitiu a entrada de jornalistas na sala. Amigos e familiares das vítimas também tiveram que aguardar o fim da audiência no saguão do prédio.

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