Rio- Uma situação inusitada acontece neste período de vácuo nas regras para as eleições: políticos recorrem a formas de propaganda que são proibidas a partir de 6 de julho. Um exemplo é a distribuição de brindes, vetada pela lei durante a campanha. Na segunda-feira da semana passada, moradores foram presenteados com camisetas do vereador Claudinho da Academia, na inauguração do complexo esportivo da favela da Rocinha, com a inscrição ''Lula e Cabral contra a desigualdade social''. No mesmo dia, à noite, durante comemoração pelo Dia das Mulheres, foram distribuídas ventarolas com as imagens do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff e a inscrição ''ele é o cara'' de um lado e ''ela é a coroa'' de outro. Lula, Dilma e o governador Sérgio Cabral (PMDB) estavam presentes nas duas solenidades com ares de comício.
''Qualquer campanha eleitoral precisa de atenção muito antes do período da propaganda autorizada. Se não houver rigor no início e resposta efetiva, a antecipação da campanha vai avançando, por vários instrumentos'', alerta o juiz Luiz Márcio Pereira, de 40 anos, coordenador da fiscalização da propaganda eleitoral no Estado do Rio.
Considerado ''xiita'' até por colegas magistrados, Luiz Márcio quer mudanças na lei para ampliar o período das restrições aos candidatos. Embora fale em tese, sem comentar situações específicas, o juiz defende que lançamento de projetos, visitas a obras e inaugurações não tenham faixas de agradecimento a prováveis candidatos nem bandeiras partidárias. ''Não precisa ser muito letrado para ver que nas inaugurações há uma intenção eleitoral. No melhor dos mundos, as inaugurações seriam realizadas sem pretensos candidatos, desde o início do ano eleitoral'', diz Luiz Márcio.
O juiz defende que a expressão ''ano eleitoral'', que existe na lei para proibir lançamento de novos programas sociais, seja estendida para evitar a chamada promoção pessoal. Com isso, os futuros candidatos estariam sujeitos a restrições desde 1º de janeiro dos anos em que houver disputa eleitoral. Não poderiam exibir cartazes de felicitações nem de divulgação de suas atividades. ''Temos que mudar a filosofia. Promoção pessoal de quem tem filiação partidária, em ano eleitoral, tem conotação de campanha'', afirma.

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