Juiz quer investigar ex-ministro Íris
A Justiça Federal de Goiás formalizou ontem ao Supremo Tribunal Federal o pedido para que os senadores Íris Resende e Maguito Vilela, ambos do PMDB, sejam investigados sobre a possível participação no desvio de R$ 5 milhões do BEG (Banco do Estado de Goiás). O pedido foi feito pelo juiz federal Alderico Rocha Santos, da 5ª Vara da Justiça Federal em Goiás, que encaminhou ao STF as cópias do inquérito que apura o desvio do dinheiro.
A apuração inicial do Ministério Público (MP) levou à prisão, sexta-feira passada, do irmão e suplente do senador Íris, Otoniel Machado Carneiro, acusado de desviar o dinheiro para o comitê de campanha do PMDB no ano passado. Otoniel coordenou a campanha de Íris ao governo do Estado e é acusado de receber os R$ 5 milhões em espécie do liquidante da Caixego (Caixa Econômica do Estado de Goiás), Edivaldo Andrade, em outubro do ano passado. Segundo o MP, gravações telefônicas e testemunhas confirmam a operação.
O juiz encaminhou o pedido ao STF atendendo solicitação do próprio MP para que possam ser aprofundadas as investigações quanto à eventual participação dos senadores Íris Resende e Maguito Vilela. O STF pode arquivar o caso ou determinar a abertura de inquérito contra os senadores.
Ontem, o advogado de Otoniel, Nei Teles, entrou com um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal. O juiz Cândido Ribeiro indeferiu o pedido e solicitou novas informações à Justiça. Maguito Vilela, que era governador durante a campanha eleitoral do ano passado, e se elegeu para o Senado, foi citado em conversas telefônicas entre Otoniel e Edivaldo.
Outra testemunha chave é Valdemar Zaidem. O cheque de R$ 5 milhões descontado por Edivaldo estava em seu nome. As gravações autorizadas pela Justiça mostram que Otoniel pretendia convencer Zaidem a assumir a responsabilidade sobre o desvio de dinheiro.
As gravações não incriminam diretamente Íris Resende. Quando recebeu o primeiro telefonema de Otoniel, no dia 1º de fevereiro, o senador logo avisou: Esse telefone não é bom. Nas ligações seguintes, Íris parecia falar por códigos. Para pedir um novo número de telefone, referia-se a uma nova placa.
Nos dias seguintes, o senador passou a se referir a Edivaldo como O Paciente. Quando tratava da operação para soltar Edivaldo da prisão, falava em receber alta. Pedia ao irmão que o assunto não fosse tratado por telefone. As gravações duraram 15 dias, desde 28 de janeiro.
Maguito condenou ontem a forma de atuação do Ministério Público e da Justiça Federal. Em Brasília, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem que a denúncia de desvio de dinheiro do BEG não atinge o senador Íris Resende. Tenho o senador em muito boa conta. De modo que, até agora, não vi nada, nada, nada que pudesse incriminá-lo, afirmou ACM.Arquivo FolhaNa miraÍris Resende: Justiça Federal quer investigar sua participação no desvio de R$ 5 milhões do Banco do Estado de GoiásLúcio Vaz
Agência Folha





