Juiz propõe rebelião contra MPs do governo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de março de 1997
Agência Folha 
BRASÍLIA - O juiz Tourinho Neto, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª região (Distrito Federal e 13 Estados), convocou ontem os juízes e a sociedade a se rebelarem contra eventual abuso por parte do governo FHC na edição de MPs (medidas provisórias). É preciso que todos nós nos rebelemos contra esse pendor ditatorial do Executivo, disse Tourinho Neto durante lançamento do livro A Constituição na Visão dos Tribunais, na sede do TRF em Brasília.
Segundo ele, FHC e o Congresso estariam incitando a opinião pública contra o Poder Judiciário. É hora de darmos um basta a esse desmando do Poder Executivo. O seu chefe (do Executivo), já sentindo na verdade esse propósito do Judiciário, está a desenvolver, juntamente com o Congresso Nacional, uma política de ódio à Justiça.
Tourinho Neto criticou também o Congresso. Quem está legislando no país é o Poder Executivo ante um Legislativo fraco e omisso, disse. No discurso, ele afirmou que quem mais desrespeita a Constituição é o Poder Executivo Federal, ao violar o artigo 62, baixando medidas provisórias com força de lei, sem que haja relevância ou urgência. O artigo 62 da Constituição autoriza o presidente da República a editar MPs em caso de urgência e relevância.
Resposta O porta-voz da Presidência, Sergio Amaral, disse que as declarações do juiz Tourinho Neto correspondem a uma atitude incompatível com a postura de um magistrado, porque incita a rebelião. Amaral disse que o presidente estranha o comportamento do juiz e enumerou três pontos que FHC considerou como desrespeito no discurso de Tourinho Neto, caso confirmado (o presidente não teve acesso à integra da fala dele).
Em primeiro lugar, configuram um desrespeito ao Congresso na medida em que o juiz se arroga o direito de julgar o que seja relevante ou urgente. Constitui um desrespeito ao Executivo e, particularmente, ao presidente, ao atribuir a ele uma postura que ele rejeita veementemente, por sua tradição democrática, que é a de manter ódio à Justiça, disse Amaral. E constitui um desrespeito aos fatos, porque esse governo é um dos governos que menos editou medidas provisórias novas.


