Arquivo FolhaTudo de novoSanguinetti: ‘‘A Justiça nos deu oportunidade de contestar versão de crime passional’’A Justiça retomou ontem as investigações sobre as mortes do empresário Paulo César Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, em 23 de junho de 96. O juiz da 8ª Vara Criminal, Alberto Jorge Correia de Lima, autorizou o médico legista George Sanguinetti, diretor geral do Hospital da Polícia Militar e professor de medicina legal da Universidade Federal de Alagoas, a fazer um estudo e emitir um parecer médico legal sobre a morte de PC e sua namorada. Lima atendeu em parte pedido da promotora Faildes Mendonça, que queria aval para Sanguinetti emitir um laudo complementar sobre o crime. A promotora duvida da teses de crime passional, defendida pela polícia alagoana e o legista Badan Palhares, da Universidade de Campinas (Unicamp).
Para garantir que a colaboração tenha efeito de prova, o juiz autorizou um estudo e não o laudo complementar. ‘‘O dr. Sanguinetti não poderia atuar como perito nesse caso, porque ele emitiu opinião e prestou depoimento à policia sobre o crime’’, disse. Segundo Lima, como estudioso, Sanguinetti poderá contar com o apoio de quem desejar e terá acesso a todas as peças do processo, podendo até fazer a exumação dos corpos de PC e Suzana se achar necessário.
Sanguinetti ainda não decidiu se fará a exumação dos corpos, mas em 30 dias disse que apresentará seu parecer médico. ‘‘O importante é que a Justiça nos deu essa chance de contestar a versão de crime passional e mostrar que houve um duplo homicídio’’, afirmou. O médico vai convidar o legista Nelson Massini, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e o perito Lamartini Bizarro, professor da Academia da Polícia Civil de São Paulo, para ajudá-lo no caso.
No despacho que deverá ser publicado hoje no ‘‘Diário Oficial do Estado’’, o juiz Lima critica o Ministério Público e a Polícia Federal. Para ele, os representantes das duas instituições poderiam ter solicitado provas quando houvesse dúvidas durante o inquérito policial. ‘‘Quando os vestígios ainda estavam quentes nenhuma medida contestatória foi feita em juízo; talvez por isso a promotora não se convenceu da versão de crime passional’’. Ele também comunica ao comando geral da PM de Alagoas que o coronel Sanguinetti foi requisitado a fazer um estudo sobre a morte de PC e Suzana.
O juiz pede ao comando da PM que reforce a segurança do Fórum Desembargador Xavier Accioly para evitar que as peças do processo sejam queimadas em algum incêndio criminoso, como aconteceu com os documentos da CPI da Assembléia Legislativa que apurou irregularidades na emissão dos títulos públicos. O processo da morte de PC e Suzana tem 1.541 páginas, em oito volumes.
Lima solicita no documento informações ao diretor da Polícia Federal, delegado Vicente Chelotti, sobre o envolvimento de PC com a máfia italiana.
No relatório que enviou ao juiz Lima sobre o trabalho da PF na investigação da morte de PC e Suzana, o delegado Marcos Omena informa que no dia do crime o assessor de imprensa do ex-presidente Fernando Collor, Ronny Curvello, estava em Maceió. Ele teria ficado hospedado no Hotel Pratagy do dia 23 a dia 27 de junho do ano passado. PC foi encontrado morto, ao lado da namorada, na manhã do dia 23 na casa de praia do empresário, em Guaxuma, a cinco quilômetros do Hotel Pratagy, Litoral Norte de Maceió.

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