Juiz pede desculpas por ter barrado trabalhador
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terça-feira, 03 de julho de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Foi realizada ontem, em Cascavel, a audiência judicial em uma ação movida pelo trabalhador rural Joanir Pereira. No último dia 13, o juiz da 3 Vara do Trabalho da cidade, Bento Luiz de Azambuja Moreira, impediu a realização da audiência porque Pereira usava um par de chinelos de dedo. Ontem, Moreira pediu desculpas formais ao trabalhador.
A audiência foi marcada para ontem por recomendação da Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT/PR), depois que tanto o advogado do trabalhador, Olímpio Marcelo Picolo, quanto a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Cascavel entraram com representações reclamando da postura do juiz. No dia 13, Moreira considerou que o calçado de Pereira era ''incompatível com a dignidade do Poder Judiciário'' e havia marcado a audiência apenas para 14 de agosto.
Ontem, apesar de a cúpula do TRT/PR já ter manifestado que os magistrados não devem ''exigir vestuários especiais dos trabalhadores'', Pereira compareceu à 3 Vara calçando sapatos emprestados de seu sogro, dois números menor do que os seus. Na audiência, o juiz fez questão de pedir desculpas formais ao trabalhador. No fim, Pereira e a empresa Madeiras J. Bresolin Ltda. entraram em um acordo. O trabalhador, que atualmente está desempregado e pedia R$ 3 mil por alegar vínculos empregatícios com a madeireira, vai receber uma indenização de R$ 1,8 mil.
O fim da polêmica agradou o advogado de Pereira. ''Queríamos terminar o caso o quanto antes. Era uma causa pequena, que se tornou grande pela repercussão que ganhou. Atitudes discriminatórias não podem acontecer, ainda mais partindo do Judiciário'', disse Olímpio Picolo.


