Uma nova fase do caso Marka começa nas próximas semanas. O juiz Abel Fernandes Gomes, da 6ª Vara Criminal Federal do Rio, encarregado do processo, marcou para 5 de julho o início dos depoimentos das testemunhas de acusação, do Ministério Público Federal. Elas poderão esclarecer melhor qual foi a participação do ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, que era dono do Banco Marka, no processo que deu prejuízo de R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, poderá ser uma das testemunhas de acusação convocadas pelos procuradores da República Arthur Gueiros, Bruno Caiado e Raquel Branquinho. Caso seja convocado nessa primeira fase, Malan poderá escolher a data e hora para falar.
Há um mês, quando apresentaram a denúncia contra 13 pessoas envolvidas no caso, os procuradores explicaram a importância do depoimento do ministro Malan: o ministro poderia explicar melhor se acreditava, ou não, na possibilidade de um risco sistêmico às instituições financeiras, que justificasse a venda de dólares pelo Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam a preços abaixo dos de mercado.
O juiz Abel Fernandes Gomes informou que os procuradores da República precisam escolher, na próxima semana, os nomes de oito testemunhas que irão convocar nessa primeira fase. E acenou, no despacho, divulgado na noite de quarta-feira, com a possibilidade de vir a convocar outras testemunhas, desde que o Ministério Público deixe claro que seriam importantes para o processo.
Os procuradores divulgaram sua lista de testemunhas de acusação. Entre elas Abelardo Duarte Melo Sobrinho, então chefe do departamento de Fiscalização da Regional do BC no Rio, que acompanhou a operação de ajuda ao Marka e FonteCindam. Os procuradores também poderão convocar os investidores Leila Malafaia e Leon Jorge Sayeg. Sayeg contou, no depoimento à Polícia Federal, que Cacciola admitiu ter acesso a um esquema de informações confidenciais do Banco Central garantindo que não haveria mudança no câmbio.
O juiz Abel Fernandes Gomes marcou primeiro os depoimentos das testemunhas de acusação do processo que corre contra Cacciola porque ele está preso desde o dia 7, no Rio. O seu processo foi separado dos outros denunciados no caso.

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