O juiz da Vara Federal Criminal de Londrina, Douglas Gonzales, interrogou ontem os dez réus da ação penal ajuizada pelo procurador da República Mário Ferreira Leite, que denuncia irregularidades na abertura da conta da empresa fantasma Freitas & Dutra no Banco Banestado.
A ação foi protocolada em junho de 2001 e cita o empresário e doleiro londrinense Alberto Youssef como um dos responsáveis pela conta fantasma que teria lavado R$ 146 mil desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). O juiz acatou somente parte da ação que denuncia a gestão fraudulenta de instituição financeira, por entender que o desvio também está sendo investigado pelo Ministério Público (MP) estadual.
O desvio de recursos da AMA foi base para uma ação criminal do MP, que culminou na decretação de duas prisões preventivas do doleiro. O advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, está contestando a competência da investigação no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Youssef não deu declarações à imprensa.
Gomes Filho reafirmou ontem que o doleiro não é o responsável pela conta. ‘‘A responsabilidade dessa conta fantasma no Banestado só pode ser do Banestado. Se o banco manteve, mantinha ou tinha conta fantasma não é um particular que era o responsável. É uma tolice acreditar nisso’’, argumentou.
Também foram interrogados o ex-superintendente regional do Banestado José Colette, o ex-diretor Gabriel Nunes Pires, os ex-gerentes do banco Wilson Maeda e Maria Regina Fazan Bosqui, Arthur Ênio Frederico Júnior, João Edson Danziger, Antonio Carlos Neri Romero, Eroni Miguel Peres e Ilvino Fazoli.
O procurador disse que os indícios de irregularidades ‘‘são fortes’’. ‘‘Existe o fato materialmente. Agora a nossa batalha é provar a autoria de todos os denunciados’’, ponderou Leite. Encerrados os interrogatórios, todos os réus terão que apresentar defesa. Conforme a investigação da Polícia Federal, cerca de R$ 16 milhões foram lavados na conta da Freitas & Dutra.

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