Agência Estado
De São Paulo
O juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em São Paulo, foi interrogado ontem a portas fechadas pelo juiz da 7ª Vara Criminal Federal, Fernando Moreira Gonçalves. O depoimento foi convocado para atender a carta rogatória enviada à Justiça brasileira pelo procurador-geral da República e do Cantão de Genebra (Suíça), Jean-Louis Crochet.
Nicolau está sendo investigado na Suíça por crime de lavagem de dinheiro, o que o sujeita, segundo as leis daquele país, a pena de cinco anos de cadeia e multa de 1 milhão de francos, o equivalente a R$ 1,2 milhão. A Justiça suíça está interessada em saber a origem do dinheiro depositado por Nicolau em duas contas bancárias numeradas, no Banco Santander. Ao término da audiência, às 19h30, Nicolau deixou o prédio da Justiça Federal, no centro de São Paulo, vaiado por pessoas que gritavam ‘‘ladrão, devolva nosso dinheiro...’’
As aplicações do magistrado nessa instituição são identificadas pelo nome de conta Nissan. Um inquérito preliminar foi aberto pelo procurador-geral Crochet, com base em reportagens publicadas pela imprensa, apontando detalhes do suposto enriquecimento ilícito de Nicolau, por meio do desvio de R$ 169 milhões destinados à construção do Fórum Trabalhista da capital.
O Ministério Público Federal acusa Nicolau de improbidade administrativa em ação civil aberta na 12ª Vara Federal. Ele estaria envolvido em irregularidades que caracterizaram superfaturamento das obras.
Como tem mais de 70 anos, Nicolau goza de regalias previstas pelas leis brasileiras. Assim, o prazo para prescrição dos crimes cai pela metade. A lei lhe garante a regalia de cumprir a pena, seja ela qual for, em regime de prisão domiciliar.

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