Juiz nega ter sido consultado sobre transferência de presos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de fevereiro de 2009
Karla Losse Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O juiz da Vara de Execuções Penais e Corregedoria dos Presídios da Comarca de Francisco Beltrão, Jailton Juan Carlos Tontini, negou anteontem em nota pública que houvesse sido consultado sobre a possibilidade da comarca receber presos de Curitiba e Região Metropolitana (RMC). Ele apresentou ainda as dificuldades que o Centro de Detenção enfrentaria como um racionamento de água e problemas de infraestrutura.
A nota foi uma resposta às declarações do governador do Estado Roberto Requião (PMDB), durante a reunião da Operação Mãos Limpas na última segunda-feira, de que a superlotação nas delegacias da RMC seria reflexo da negativa dos juízes das comarcas de Cascavel, Francisco Beltrão e Foz do Iguaçu de receber os presos. ''Temos 400 vagas sobrando. O problema é que os juízes daquelas comarcas não querem receber presos de Curitiba'', declarou o governador à Agência Estadual de Notícias.
Na nota, publicada no site da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), o juiz afirma que ''jamais foi consultado, ainda que informalmente, por qualquer autoridade pública acerca da possibilidade de receber presos oriundos da Região Metropolitana de Curitiba''.
Tontini afirma também que o Centro de Detenção e Ressocialização de Francisco Beltrão (CDRFB) não teria condições de receber novos detentos. De acordo com o juiz, o presídio enfrenta ''em razão de haver sido construído e inaugurado sem a infra-estrutura necessária, constante falta de água, havendo, atualmente, racionamento de água''. Ainda de acordo com a nota, em virtude da falta de água o próprio Secretário de Estado da Justiça, Jair Ramos Braga, teria solicitado, via ofício, que não houvesse transferência de presos até a solução do problema.
Além disto, o juiz alega que o número atual de policiais militares que atuam no presídio seria insuficiente para atender as condições de segurança caso o Centro de Detenção completasse sua capacidade máxima que é de 864 presos.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Justiça informou que não seria possível localizar os responsáveis pelo assunto para comentar as declarações do juiz. O contato da reportagem foi feito por volta das 18 horas. Já a assessoria de imprensa do governador preferiu não se manifestar sobre o assunto.


