O juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, responsável por analisar os fatos levantados pela Operação Publicano, negou, em entrevista ao Bonde nesta quinta-feira (15), que a segunda fase da operação foi anulada ou suspensa pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). "O tribunal apenas pediu a remessa dos autos para analisar se, de fato, há problemas com a delegação de competência", destacou. Todo o trabalho de apuração realizado pelo Ministério Público (MP), conforme o magistrado, foi "mantido válido" pelo TJ.

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A liminar referente à Operação Publicano foi expedida pelo desembargador Luiz Sérgio Neiva de Lima Vieira, na última quarta-feira (7), em resposta à reclamação crime apresentada pela defesa de um dos réus do caso, José Luiz Favoreto Pereira, ex-delegado da Receita Estadual em Londrina. No processo apresentado, o advogado que defende o acusado, Walter Bittar, alegou que os promotores do MP e o juiz da 3º Vara Criminal se "usurparam da competência" do Tribunal do Justiça quando continuaram com a Publicano mesmo após constatarem que os deputados Thiago Amaral (PSB) e Ratinho Junior (PSC), "detentores de foro por prerrogativa de função nas atividades elitivas", estariam envolvidos nas irregularidades investigadas.

Nanuncio garantiu que, em nenhum momento, constatou qualquer tipo de problema de delegação de competência durante a análise do caso. "No processo, o deputado Thiago Amaral é arrolado como testemunha. Como é que ele também pode ser réu do caso?", indagou, lembrando que, apesar de terem tido os nomes citados durante as investigações, os deputados não são réus na ação encaminhada à 3ª Vara Criminal pelo MP.

O juiz deve aguardar a análise dos autos pelo TJ antes de continuar com os trabalhos relacionados à Publicano. "Tenho a impressão de que o tribunal vai analisar e julgar o caso de forma rápida", observou.

Vale lembrar que a Operação Publicano investiga um esquema de cobrança e recebimento de propina descoberto dentro da Receita Estadual em Londrina. Quase 200 pessoas, entre auditores, advogados, empresários e contadores, já foram denunciados à Justiça por participação nas irregularidades. Conforme as investigações, auditores da Receita cobravam propina de empresários e, em troca, "perdoavam" dívidas fiscais deles.

A operação está na sua terceira fase. Favoreto, preso no início das investigações, voltou a ser detido pelo Gaeco na atual etapa.

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