O juiz substituto da 4 Vara Criminal, Álvaro Rodrigues Júnior, negou dois pedidos de prisão preventiva do ex-prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido) em duas ações criminais ajuizadas pelo Ministério Público (MP). No despacho, em que o juiz somente acatou a denúncia e agendou os interrogatórios, é datado do dia 23, mas somente foi tornado público ontem.
Nas ações, que envolvem o desvio de R$ 400 mil dos cofres públicos municipais, são citadas mais 32 pessoas, entre elas ex-secretários municipais, empresários e ex-membros de comissões de licitação. Outros quatro réus também tiveram os pedidos de prisão preventiva negados pelo juiz.
Na denúncia ajuizada dia primeiro de julho, o MP relata o desvio de R$ 175 mil da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU). Conforme o MP, a licitação fraudada em 98, teria sido vencida pela empresa Sistema. O dinheiro teria sido distribuído em várias contas bancárias, e parte destinada a conta da C. Zavierucha & Cia., de Cassimiro Zavierucha, mais conhecido como Carlos Júnior, apontado como tesoureiro de campanha da família Belinati.
Outra ação acatada pelo juiz, proposta no dia 13 de junho, denuncia 18 pessoas pelo desvio de R$ 225 mil também da Comurb. De acordo com os promotores Cláudio Esteves e Solange Vicentin, autores da ação, parte do desvio - cerca de R$ 6 mil, teria sido depositado no dia 2 de outubro de 98, na conta pessoal do ex-prefeito.
''Os réus nem sequer foram citados e não se pode presumir, antecipadamente, que irão se furtar ao comparecimento dos atos processuais a que forem intimados'', justificou o juiz no despacho. ''Isto não significa, todavia, que o requisito da conveniência da instrução criminal esteja totalmente descartado no presente feito, pois caso se constate manobras da defesa para protelar indefinidamente o feito, como, por exemplo, por réus nunca serem 'encontrados' para as intimações ou mesmo 'ficarem doentes' justamente nos dias de audiência, o fundamento da conveniência da instrução criminal poderá ser reanalisado'', complementou.
Segundo a promotora de Defesa do Patrimônio Público, Leila Voltarelli, o MP deverá esperar a intimação da decisão judicial. ''Com relação aos pedidos de preventiva indeferidos, não tomamos conhecimento ainda. Temos que ver a fundamentação desse despacho e ver se é o caso de recorrer'', afirmou.
Em 2001, Belinati teve dois pedidos de prisão decretados pela Justiça. Em maio, o ex-prefeito permaneceu seis dias nas dependências do 2º Distrito Policial, acusado de desviar R$ 1,7 milhão dos cofres públicos. Em julho, outra prisão preventiva foi decretada pelo desvio de R$ 270 mil. Nos dois casos, Belinati foi libertado por habeas corpus concedidos pelo TJ. A Folha tentou entrar em contato com o advogado do ex-prefeito, Antonio Carlos de Andrade Vianna, e com Carlos Júnior, mas eles não foram localizados.
Os interrogatórios foram agendados para outubro. ''Não tem pauta disponível em data mais próxima, devido ao excesso de serviço, muitos processos. Além disso o cartório está atendendo dois juízes'', justificou o escrivão Reginaldo Arcebispo de Sá.

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