A Justiça Eleitoral negou ontem o recurso do PT com pedido de revisão da sentença que julgou legal a prestação de contas do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), relativa à campanha do ano passado. O pedido foi encaminhado na semana passada. O juiz da 1 Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral, manteve a sentença original e decidiu não levar em conta as denúncias publicadas no jornal ''Folha de S.Paulo'' no dia 6 de agosto. A reportagem apresenta indícios de que o comitê do PFL não teria declarado a movimentação de R$ 29,8 milhões em sua prestação de contas oficial.
Amaral rejeitou a alegação do PT, que afirmou que o juiz teria sido omisso ao aprovar as contas sem considerar os fatos novos veiculados na imprensa. ''Eu já havia assinado a sentença antes de ter conhecimento das denúncias. Não houve omissão'' afirma Amaral.
A Justiça Eleitoral ainda analisa recurso encaminhado pelo Ministério Público (MP) estadual na quarta-feira passada. O promotor Valclir Natalino julgou que as denúncias devem ser analisadas antes de o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) aprovar as contas de Cassio. Os responsáveis pelo comitê da coligação que reelegeu o prefeito serão ouvidos antes do caso seguir para o plenário do TRE.
O recurso de Natalino é embasado em uma série de fotocópias de documentos e recibos enviados pela Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, que investiga o caso para apurar se houve utilização de dinheiro público na campanha. Ontem, dois membros do comitê financeiro da campanha de Cassio prestaram depoimento à Promotoria. José Alexandre Neto e Tufi Patruni Filho negaram que os documentos sejam autênticos.
Para o advogado de Cassio, José Cid Campêlo, a documentação enviada pela Promotoria ao MP deve fazer com que a prestação de contas seja aprovada no TRE. ''São fotocópias de origem incerta. A única documentação original foi a enviada pelo comitê da coligação do prefeito Cassio ao TRE'', afirma Campêlo.
Na Câmara Municipal, os vereadores da bancada de oposição pretendem esperar o avanço das investigações no MP antes de solicitar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso. O líder da bancada, Paulo Salamuni (PMDB), espera coletar hoje as 12 assinaturas necessárias para instalar a CPI.

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