Juiz nega apreensão de material contra Belinati
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O juiz da 190ª Zona Eleitoral de Londrina, Elias Duarte Rezende, negou a concessão de liminar para a coligação A Volta do Povo à Prefeitura, de Antonio Belinati (PP), pela busca e apreensão de material impresso supostamente irregular que estaria prestes a ser distribuído na cidade. Segundo o pedido, os jornais formato standard, com 12 páginas conteriam propaganda eleitoral em desconformidade com o que prevê a legislação. É um jornalzinho mequetrefe, feito a partir de montagem, trucagem. É uma farta mentira que deu tempo de a Justiça proibir de ser divulgada, declarou o advogado da coligação, Eduardo Franco, no final da manhã. Conforme a decisão publicada pelo magistrado às 16 horas, contudo, a distribuição do material está liberada uma vez que o processo foi dado por extinto.
O jornal questionado pelo PP é composto por cerca de 60 matérias inteiras, ou recortes de partes, como manchetes publicadas por jornais de Londrina, sites e revistas nacionais referentes a casos de suposta corrupção na Prefeitura durante a gestão de Belinati (1997-2000). Com as inscrições de CNPJ e tiragem (100 mil exemplares), o material traz ainda uma espécie de linha do tempo das três gestões do ex-prefeito com problemas que as teriam caracterizado, conforme as próprias notícias elencadas, e uma lista com as ações judiciais a que Belinati responde nos últimos 20 anos.
No despacho, o juiz analisou que o material o qual, de manhã, determinara apreensão de uma amostra, para análise apenas reproduzia notícias jornalísticas diversas, o que, assim como a realização de propaganda eleitoral, é um direito do candidato.
A divulgação de que o material seria todo apreendido, conforme alardeado à imprensa, de manhã, pela coligação belinatista, gerou uma série de confusões quanto à autoria. Isso porque os fardos do jornal, localizados em uma residência da Rua Barão de Mesquita, no Jardim Presidente (Zona Oeste), foram classificados como apócrifos portanto, irregulares pelo advogado do ex-prefeito.
Desde as 9 horas, um grupo de apoiadores de Belinati se reuniu em frente à casa para acompanhar o desfecho do caso, o qual, disseram, teria iniciado de madrugada com a entrega dos jornais ao restaurador de carros Bruno Gonçales, que vive lá com a esposa e o filho de três anos. Gonçales, que também presta serviço com carros de som para a campanha do candidato do PSDB, Luiz Carlos Hauly, alegou ter guardado os fardos lá porque o comitê estava sem espaço. Mas nem sei o que é, contou. O restaurador disse ainda que, na véspera, à noite, dois indivíduos armados teriam chegado ao local em dois veículos e o teriam ameaçado, e à esposa.
Advogados do PSDB que foram ao local na seqüência, porém, negaram que o material estivesse irregular. (Colaborou Mariana Guerin)


