O juiz da 190ª Zona Eleitoral de Londrina, Elias Duarte Rezende, negou a concessão de liminar para a coligação ‘‘A Volta do Povo à Prefeitura’’, de Antonio Belinati (PP), pela busca e apreensão de material impresso supostamente irregular que estaria ‘‘prestes a ser distribuído’’ na cidade. Segundo o pedido, os jornais – formato standard, com 12 páginas – conteriam propaganda eleitoral em desconformidade com o que prevê a legislação. ‘‘É um jornalzinho mequetrefe, feito a partir de montagem, trucagem. É uma farta mentira que deu tempo de a Justiça proibir de ser divulgada’’, declarou o advogado da coligação, Eduardo Franco, no final da manhã. Conforme a decisão publicada pelo magistrado às 16 horas, contudo, a distribuição do material está liberada – uma vez que o processo foi dado por extinto.
  O jornal questionado pelo PP é composto por cerca de 60 matérias – inteiras, ou recortes de partes, como manchetes – publicadas por jornais de Londrina, sites e revistas nacionais referentes a casos de suposta corrupção na Prefeitura durante a gestão de Belinati (1997-2000). Com as inscrições de CNPJ e tiragem (100 mil exemplares), o material traz ainda uma espécie de ‘‘linha do tempo’’ das três gestões do ex-prefeito com problemas que as teriam caracterizado, conforme as próprias notícias elencadas, e uma lista com as ações judiciais a que Belinati responde nos últimos 20 anos.
  No despacho, o juiz analisou que o material – o qual, de manhã, determinara apreensão de uma amostra, para análise – apenas ‘‘reproduzia notícias jornalísticas diversas’’, o que, ‘‘assim como a realização de propaganda eleitoral, é um direito do candidato’’.
  A divulgação de que o material seria ‘‘todo apreendido’’, conforme alardeado à imprensa, de manhã, pela coligação belinatista, gerou uma série de confusões quanto à autoria. Isso porque os fardos do jornal, localizados em uma residência da Rua Barão de Mesquita, no Jardim Presidente (Zona Oeste), foram classificados como apócrifos – portanto, irregulares – pelo advogado do ex-prefeito.
  Desde as 9 horas, um grupo de apoiadores de Belinati se reuniu em frente à casa para acompanhar o desfecho do caso, o qual, disseram, teria iniciado de madrugada com a entrega dos jornais ao restaurador de carros Bruno Gonçales, que vive lá com a esposa e o filho de três anos. Gonçales, que também presta serviço com carros de som para a campanha do candidato do PSDB, Luiz Carlos Hauly, alegou ter guardado os fardos lá porque ‘‘o comitê estava sem espaço. Mas nem sei o que 钒, contou. O restaurador disse ainda que, na véspera, à noite, dois indivíduos armados teriam chegado ao local em dois veículos e o teriam ameaçado, e à esposa.
  Advogados do PSDB que foram ao local na seqüência, porém, negaram que o material estivesse irregular. (Colaborou Mariana Guerin)

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