O juiz Marcelo Yukiu Misaka, da Vara Cível de Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina), condenou o prefeito Mário Casanova (PMDB) a demitir cinco parentes de políticos locais empregados em cargos de confiança na administração municipal. Devem ser exonerados dois irmãos do prefeito, uma filha e um neto do vice-prefeito, Antônio Carlos Pereira Vieira, e um cunhado do presidente da Câmara Municipal, José Devaldo Pedrineli. A decisão ainda não foi cumprida porque os oficiais de Justiça não conseguem encontrar o prefeito em Primeiro de Maio desde 30 de novembro. Informações obtidas pela Folha no Fórum e na Prefeitura indicam que Mário Casanova tem viajado entre Curitiba, Londrina e Ibiporã nas últimas semanas.
A sentença condenatória atendeu a Ação Civil Pública apresentada pelo Ministério Público (MP) em 25 de maio justificando que o nepotismo (emprego de parentes) fere os princípios constitucionais da moralidade, legalidade e impessoalidade. O MP solicitou a demissão dos parentes consanguíneos e afins, até terceiro grau, do prefeito, vice-prefeito, secretários municipais e vereadores, e o impedimento de nomeação de novos funcionários com estas características. No curso da instrução, a prefeitura informou que dois dos cinco parentes já teriam sido exonerados.
Em seu despacho, o juiz deu prazo de 20 dias para a demissão dos outros parentes identificados durante o processo sob pena de multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento. Além disso, por ter ''dado causa'' à ilegalidade, o prefeito Mário Casanova também foi condenado a pagamento das custas processuais de R$ 1.000. O prazo para execução da pena passa a contar a partir da notificação do prefeito.
Além desse processo, Mário Casanova responde a outra Ação Civil Pública em curso no Fórum de Primeiro de Maio sob acusação de repasse irregular de recursos públicos para uma associação comunitária com sede no município. Na denúncia, o MP alega que a verba - aproximadamente R$ 13 mil - foi repassada a título de remuneração para os diretores da associação, o que é vedado por seu próprio estatuto interno. A reportagem da Folha está tentando um contato com o prefeito Mário Casanova há sete dias, mas ainda não obteve retorno.
A crise financeira da prefeitura de Primeiro de Maio levou o prefeito Mário Casanova a reduzir o expediente nos órgãos municipais para o período das 08h00 às 13h00. Na circular que justificou o fechamento da prefeitura à tarde, baixada há 30 dias, Mário Casanova alega ''queda na arrecadação a partir de julho''. A falta de recursos também vem acarretando aumento na dívida da prefeitura com a Copel, de aproximadamente R$ 1 milhão (em atraso desde 2001), e nos repasses mensais para o escritório da Emater, que já somam R$ 40 mil.

mockup