Juiz manda apreender jornal que denuncia ex-deputado Ritti
O juiz Lourival Pedro Chemim, de Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro, determinou anteontem a busca e apreensão dos exemplares do jornal Gazeta Platinense em que o ex-deputado José Artur Ritti é citado e apontado como pivô de várias irregularidades. O juiz acatou o pedido de Ritti que, na página 8 do periódico, é acusado de roubo de gado. O fazendeiro que teria sido prejudicado, Orlando Fernandes, negou o episódio à Folha.
É tudo boato. Nem eu nem o ex-deputado fomos procurados pelo jornal para darmos nossa versão, diz o fazendeiro. A Folha tentou vários contatos com Ritti, mas não conseguiu localizá-lo ontem. O fazendeiro conta que alugava o pasto da fazenda de Ritti e resolveu vender 249 cabeças de gado para o ex-deputado. A transação é transparente, com nota fiscal e tudo. No contrato, ele se compromete a fazer o pagamento no dia 10 de junho, garantiu. Segundo Fernandes, a transação foi de R$ 90 mil. Ele disse já ter feito outros negócios com Ritti e não houve problemas. Acho que é problema político, arrisca.
O jornalista responsável pela Gazeta Platinense, Valcir Machado, disse que tem como provar todas as denúncias com documentos e depoimentos. Vou continuar denunciando, promete. Ele classificou de ditadura a apreensão do jornal que, segundo ele, tem tiragem de 2 mil exemplares. Machado considera normal o uso de adjetivos que desabonem a moral de Ritti. Ele nega usar o periódico para difamar o ex-deputado, mas o episódio revela a existência de desavenças entre os dois. O jornalista disse que era amigo do ex-deputado, mas rompeu com ele há dois anos. Ele traiu os amigos e a família, acusa.
No mandado de busca e apreensão, o juiz dá cinco dias para que o jornalista faça sua contestação. Vou lembrar que tudo que está escrito na matéria é real. Não menti quando lembrei da passagem tímida do deputado pela Assembléia, também não inventei nada quando recordei que ele foi preso recentemente por cobrar taxas abusivas em seu cartório nem que ele é acusado de ter dado um rombo nos cofres públicos quando sua mãe foi prefeita, relata o jornalista. O juiz não quis comentar a apreensão do jornal.





