Juiz interroga ex-secretários de Belinati
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segunda-feira, 25 de junho de 2001
Lino Ramos De Londrina 
O ex-secretário de Fazenda de Londrina Luiz César Guedes disse ontem que durante o período em que exerceu o cargo (entre janeiro de 1997 e março de 1999), os recursos obtidos com a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel não foram utilizados para cobrir déficit mensal. A afirmação contraria as informações prestadas semana passada à Justiça pelo ex-prefeito (cassado) Antonio Belinati (sem partido).
Guedes, o ex-presidente da extinta Comurb (atual CMTU) Kakunen Kyosen e o ex-procurador-geral da prefeitura Eduardo Duarte Ferreira foram interrogados ontem à tarde pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas. Eles prestaram esclarecimentos sobre a ação que apura o desvio de R$ 590 mil da Comurb.
Na semana passada, ao ser interrogado sobre o desvio, Belinati afirmou que parte dos recursos da Sercomtel foi usada para cobrir um déficit mensal de aproximadamente R$ 3 milhões. Talvez ele (Belinati) esteja falando de um déficit anterior, arriscou Guedes. Parte dos recursos do Conselho de Gestão Financeira (Cogefi), criado para administrar o dinheiro da venda da Sercomtel) foi usado na rubrica restos a pagar. Guedes disse ainda que todas as despesas da prefeitura eram ordenadas pelo prefeito e pelo secretário de Governo.
Guedes disse ainda que nunca soube do desvio de recursos públicos ou que teve qualquer participação nas irregularidades. Para o ex-secretário, a fiscalização dos recursos públicos deveria ser feita pela Câmara de Vereadores, Tribunal de Contas e auditoria da prefeitura. Não tinha nenhuma vinculação com a Comurb, um órgão descentralizado. Não éramos auditoria, éramos Secretaria de Fazenda, comentou.
Kyosen deixou o Fórum sem dar entrevista. Seu advogado, Ronaldo Neves, negou que Kyosen soubesse dos desvios ou tenha contribuído para a realização de licitações fraudulentas. Neves disse ainda que o ex-presidente ficava pouco tempo na Comurb. Afirmou ainda que o presidente de fato da companhia era o ex-diretor-financeiro Eduardo Alonso de Oliveira, que seria um pessoa de confiança de Belinati.
O Eduardo Alonso, réu confesso nas ações, foi nomeado pelo Belinati e indicado por José Janene (deputado federal pelo PPB), ele é quem deve esclarecer com quem tabelava, alegou o advogado. Ele disse ainda que Kyosen era o último a assinar os cheques e confiava em sua equipe de trabalho.
Já o ex-procurador procurou ser rápido durante o interrogatório e negou envolvimento no esquema de corrupção. Ratifiquei meu depoimento anterior e mais nada, resumiu. Ferreira se referiu ao interrogatório sobre a acusação de que teria participado do desvio de R$ 1,7 milhão da prefeitura objeto da primeira ação criminal proposta pelo Ministério Público (MP).
Segundo o MP, Ferreira ajudava a fabricar as licitações frias. Só o tempo vai esclarecer os fatos, filosofou o ex-procurador. Embora fosse o responsável pela assessoria jurídica da prefeitura, ele afirmou que não era sua função fiscalizar ou alertar os demais membros da administração sobre eventuais irregularidades. Ele preferiu não fazer comentários sobre os desvios na prefeitura ou de quem seria a responsabilidade pelas fraudes.


