Juiz interroga acusados de duplo crime em Mariluz
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terça-feira, 17 de abril de 2001
Vânia MoreiraDe Umuarama 
O ex-secretário da Prefeitura de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), Élcio farias, o ex-chefe da Divisão de Obras, Alexandro do Nascimento, e o ex-policial militar José Lucas Gomes foram interrogados ontem pelo juiz de Cruzeiro do Oeste, Siladelfo Rodrigues da Silva. Os três são acusados de envolvimento nas mortes do vice-prefeito de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), Aires Domingues, e do presidente do diretório municipal do PPS, Carlos Alberto de Carvalho. Os dois foram mortos a tiros dia 28 de fevereiro. O prefeito, o padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB), acusado de ser o mandante, está preso em Curitiba.
Farias manteve a versão dada à polícia quando foi preso e incriminou o prefeito. Contou que no início do mandato Gonçalves teria comentado que Carvalho iria atrapalhar sua administração e que pretendia matar o presidente do PPS. Farias confirmou também que Gonçalves e Nascimento o procuraram em Ariquemes (RO) para que assumisse o mando do crime. Nascimento inocentou o padre e acusou Farias de ser o mandante.
O ex-policial, que havia confessado o duplo homicídio e acusado Gonçalves, mudou a versão. Disse ter sido contratado por Farias para agredir Carvalho e não se lembra do que aconteceu no local do crime. Alegou ter sido torturado para confessar e incriminar o padre, mas não soube apontar os torturadores. Também não soube explicar a origem dos ferimentos que apresentava quando foi preso (Carvalho lutou com o matador enquanto era baleado).
O promotor de Cruzeiro do Oeste, Maximiliano Deliberador, acredita que os três devem ir a julgamento antes do final do ano. Temos provas suficientes para condená-los.
Como a lei garante foro privilegiado aos prefeitos, Gonçalves responderá processo perante o Tribunal de Justiça. Licenciado do cargo e alvo de uma Comissão Processante, ele nega os crimes e diz que foi vítima de uma armação dos adversários políticos.


