Juiz indisponibiliza imóvel que seria do ex-prefeito
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terça-feira, 08 de maio de 2001
Lino RamosDe Londrina 
O juiz da 6ª Vara Cível de Londrina, Celso Seikiti Saito, colocou ontem em indisponibilidade uma chácara de 112 mil metros quadrados localizada ao lado da Chácara Irmãos Vitorino, pertencente à família de Antonio Belinati. O imóvel está em nome do advogado Márcio Rogério Depolli e sua mulher, Rosângela de Sá Depolli, de Marialva. Mas, segundo o Ministério Público (MP), seus verdadeiros proprietários são Simone e Cintya Salles Belinati, filhas do ex-prefeito com a vice-governadora Emília Belinati (PTB). Cintya e Simone, assim como Antonio Belinati, já estavam com os bens indisponíveis.
O juiz não quis comentar sua decisão e somente esclareceu que estendeu o efeito da indisponibilidade dos bens de Cintya e Simone Belinati para esse imóvel. O Ministério Público requereu a indisponibilidade por ter ficado evidente que os direitos sobre o imóvel ainda pertencem a Cintya e Simone, explicou o promotor Cláudio Esteves, um dos responsáveis pela investigação de corrupção na prefeitura.
O terreno foi comprado em 19 de agosto de 1999 da Fundação Mater Et Magistra de Londrina (ligada à Igreja Católica) por R$ 465.389,18. Por meio de um instrumento particular de cessão e transferência de direitos, em 22 de outubro daquele ano, o imóvel foi repassado a Márcio e Rosângela Depolli. Segundo o MP, Depolli é sócio de Bráulio Belinati Garcia Perez, sobrinho do ex-prefeito.
Segundo o MP, durante a transação houve um pacto comissório prevendo que o negócio seria desfeito caso Depolli não quitasse o imóvel. Ele efetuou dois pagamentos para a fundação, mas deixou de pagar R$ 100 mil para Simone e Cintya. Sendo assim é inequívoco que o pacto comissório operou os seus efeitos, estando desfeita a venda de Simone e Cintya para Márcio Depolli e sua mulher, concluiu o MP, na petição encaminhada à 6ª Vara Cível.
Tudo leva a crer que essas pessoas tenham sido usadas para dissimular a identidade do verdadeiro proprietário do imóvel, Antonio Belinati, ressaltou o MP. Na petição, os promotores Esteves e Solange Vicentin lembram que Depolli havia dito à fundação que usaria uma herança do sogro na compra. Porém, ao MP, ele declarou que efetuou um empréstimo para adquirir o terreno.
A Folha ligou diversas vezes para o telefone que consta da lista em nome de Márcio Depolli, mas ninguém atendeu.


