Juiz federal apresenta perícias do caso Paolicchi
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sexta-feira, 25 de maio de 2001
Marcos ZanattaDe Maringá 
O juiz federal substituto Alexei Alves Ribeiro, que assumiu o processo contra o ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, apresentou ontem o resultado das perícias pedidas pela defesa. Foi feito levantamento grafotécnico em bilhetes encontrados com Paolicchi, com a letra dele e do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido). Paolicchi está preso desde dezembro, acusado de comandar esquema de desvio de dinheiro público.
Os peritos levantaram também a evolução patrimonial do ex-secretário e as condições dos imóveis que estão em nome de Paolicchi. Ontem mesmo os advogados de defesa foram citados e terão um prazo de três dias para se manifestar. Ribeiro não arrisca em prever quando será possível determinar a sentença de Paolicchi e dos outros três réus do processo, os servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa.
Se a defesa nada contestar ou não pedir novas diligências, segundo o juiz, em algumas semanas a sentença será proferida. Se não houver nenhum requerimento na fase de diligências, vamos para as alegações finais e a sentença, explicou. Apenas a evolução patrimonial de Paolicchi está em sigilo. Os exames grafotécnicos, explica o diretor da Vara Criminal Federal de Maringá, João Cláudio Moraes Caiçara da Silva, confirmaram as letras de Paolicchi e Gianoto.
No caso da perícia nos imóveis, a documentação mostra o investimento que o ex-secretário fez principalmente em propriedades rurais. A começar pela Fazenda San Marino, em Três Lagoas (MS), que tem 2.342 hectares e foi avaliada em R$ 3.183.282,22. No mesmo município, ele tem mais duas fazendas: a San Martin, avaliada em R$ 766.786,77 e a Paiaguás, que vale R$ 371.474,63. A outra fazenda de Paolicchi, a Rio Brilhante, em Nova Mutum (MT), foi avaliada em R$ 1.823.740.
A Chácara San Marino, em Maringá, que tem 7,5 mil metros quadrados, vale, pela perícia, R$ 273.700. Paolicchi tem ainda uma chácara em Indaiatuba (SP), com 3 mil metros quadrados (R$ 800 mil). A Mineradora de Águas Rainha, que ele montou em Iguaraçu, região de Maringá, foi avaliada em R$ 1.116.300. Uma casa em uma pousada às margens do Rio Paraná, no município de São Pedro do Paraná, custaria R$ 125 mil.
A casa da pousada, segundo o processo, chegou a ser vendida por R$ 7 mil para Luis Plínio Telles, em maio de 1999. Plínio é funcionário de Paolicchi. A perícia avaliou ainda um apartamento no Edifício Plymouth Hills, em Curitiba (R$ 460 mil). Um imóvel de Paolicchi em Balneário Camboriú (SC) e um avião Learjet do ex-secretário não entraram na perícia.
A Justiça Federal contabiliza ainda os US$ 54 mil dólares e mais R$ 38.950 em dinheiro, além de uma camionete Cherokee, encontrados com ele no momento da prisão, em Florianópolis (SC), em 8 de dezembro de 2000. Os dólares foram vendidos e depositados em uma conta junto com os reais. A camionete, segundo Silva, foi apreendida e se encontra no pátio da Polícia Federal em Maringá. Todos estes valores, segundo o processo, serão utilizados para cobrir as custas judiciais, que ainda não têm um valor definido.
Todas as perícias e procedimentos são referentes ao processo criminal pelo desvio de R$ 2,6 milhões entre dezembro de 1998 a março de 1999. Assim que for definida a sentença, o Ministério Público Federal vai apresentar outra denúncia, que envolve Paolicchi, Gianto e três servidores. Auditorias do Tribunal de Contas já detectaram desvios superiores a R$ 106 milhões desde 1993.


