O juiz da 41 Zona Eleitoral de Londrina, Mário Nini Azzolini, solicitou ontem ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que seja designada a data do novo segundo turno das eleições na cidade. O ofício remetido a Curitiba contém o recálculo dos votos válidos do primeiro turno, já excetuados os computados por Antonio Belinati (PP): 98.432 votos no universo de então 287.324 votos válidos. Na madrugada da última sexta, por cinco votos a um, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassaram em definitivo o registro da candidatura do ex-prefeito, ao rejeitarem dois embargos de declaração interpostos pela defesa do candidato e pela Assembléia Legislativa (AL). O advogado de Belinati, Eduardo Franco, informou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) com um recurso extraordinário para garantir a diplomação e posse do cliente.
O juiz da 41 se baseou na análise feita pelo TSE, na sexta-feira (na última sessão do ano), sobre a consulta do TRE do Piauí. A medida questionava que medidas deveriam ser adotadas, com base no artigo 224 do Código Eleitoral, a cidades de mais de 200 mil habitantes em que o ganhador do pleito tivesse sido eleito com mais de 50% dos votos válidos, mas com posterior cassação do registro. O Tribunal entendeu que os votos ficam invalidados para primeiro e segundo turnos, de modo que, na sequência, seja feito o recálculo do primeiro turno para saber se há ou não a necessidade de realização de um novo segundo turno.
O recálculo encaminhado ontem pela 41 Zona ao TRE, por fax, é o mesmo que a FOLHA publicou na edição do último sábado. Por ele, sem os votos de Belinati, restaram 172.148 votos válidos a serem dividos entre os oito candidatos restantes, de modo que nenhum obtém mais de 50%: Luiz Carlos Hauly (PSDB), com 63.891 votos, vai para o novo segundo turno em primeiro lugar com 37,11% dos votos válidos; Barbosa Neto (PDT), com 62.020 votos, vai concorrer agora na segunda colocação, com 36,03%.
De acordo com o juiz da 41 , a comunicação ao TRE foi feita antes das 16 horas. ''O despacho é simplesmente no sentido de que se cumpra a orientação do TSE, que, além da consulta, já enviou aos TREs de todo o país ofício recomendando os encaminhamentos para novas eleições, em casos como o daqui'', explicou o magistrado.
A reportagem conversou ainda com o diretor-geral do TRE, Ivan Gradowski, sobre o prazo para que o novo pleito seja marcado a Londrina - uma vez que o TSE, na consulta, orientou que nova votação seja chamada no período de 20 a 40 dias. Gradowski informou que, como o Tribunal está em recesso até dia 6 de janeiro, a questão só deve ser analisada depois dessa data. Ainda assim, adiantou: ''Isso vai a plenário, mas as sessões só começam dia 20 (de janeiro). Se houver sessão extraordinária, pode ser que o assunto até seja debatido antes. Mas isso dependeria de reunir os juízes''. declarou o diretor-geral. Conforme a assessoria do TRE, somente hoje o presidente, desembargador Jesus Sarrão, deve se manifestar sobre o assunto.

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