Curitiba - O juiz eleitoral D'artagnan Serpa Sá negou ontem a concessão de um reajuste de 13,45% aos funcionários da Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs). A decisão de Serpa Sá foi tomada em virtude de uma consulta feita pela própria Urbs acerca da lei que proíbe que os salários dos servidores públicos sejam reajustados acima do índice da inflação em ano eleitoral. A decisão afeta cerca de 1,2 mil funcionários da companhia.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização de Curitiba (Sindiurbano), Valdir Mestrini, classificou a consulta da Urbs ao juiz eleitoral como ''uma manobra suja''. ''A Urbs está tomando essa atitude apenas para postergar o pagamento do reajuste, que já foi obtido a duras penas. É uma tentativa também de desestruturar o sindicato e mostrar que eles podem fazer o que quiserem com os trabalhadores'', acusou Mestrini.
A polêmica em torno do reajuste teve início em março deste ano. Como as duas partes não chegavam a um acordo, o Sindirubano chegou a organizar uma paralisação em abril para forçar uma solução. ''Fechamos um acordo dizendo que a partir de maio o reajuste seria pago. Só que após a assinatura do acordo o departamento jurídico da Urbs fez essa consulta ao Tribunal Regional Eleitoral e não pagou nenhuma parte do reajuste até agora'', declarou o presidente do Sindiurbano. Mestrini não descarta a possibilidade de uma nova paralisação.
A Urbs negou através de sua assesoria qualquer tentativa de evitar o pagamento do reajuste. Segundo a Urbs, a consulta ao TRE foi assinada em conjunto com o Sindiurbano e serviria apenas para dar legitimidade ao acordo coletivo. Segundo a assessoria, a Urbs pretende entrar com um recurso junto ao TRE explicando que o reajuste na verdade seria de apenas 5,6%, o que seria abaixo do indíce de inflação dos últimos 12 meses e poderia alterar a decisão do juiz.

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