O juiz substituto de segundo grau da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, Márcio José Tokars, concedeu liminar em habeas corpus e determinou a soltura do empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB), que teria livre trânsito no Palácio do Iguaçu.
Abi estava preso desde segunda-feira da semana passada, suspeito de ser o articulador de fraude na contratação da empresa Providence Autocenter, de Cambé, Região Metropolitana de Londrina, para fazer a manutenção da frota dos carros oficiais do governo, conforme aponta investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que deflagrou na semana passada a operação Voldemort, levando à cadeia, além do empresário, outras quatro pessoas. Uma delas está foragida.
Em linhas gerais, Tokars entendeu que a decisão do juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, que decretou a prisão de Abi, não apontou fato concreto que justificasse "a medida extremada de privação de liberdade". Ele afirmou que "não se pode negar que os crimes imputados, em tese, são de grande reprovabilidade". Porém, disse ele, também "não se pode eleger a gravidade em abstrato do crime fator de legitimação da prisão". Para o magistrado, em liberdade, Abi não representa risco para a instrução processual ou para a ordem pública.
Segundo sua decisão, medidas alternativas à prisão são suficientes e determinou que o empresário entregue seu passaporte em 24 horas para evitar risco de fuga do país; que compareça em juízo, a cada 15 dias, para informar e justificar atividades que tem desempenhado; e que comunique imediatamente a Justiça eventual mudança de endereço.
Tokars também justificou a liberdade afirmando que a Justiça de Londrina já havia determinado "a suspensão de qualquer contrato da empresa em questão havido, direta ou indiretamente, com o Estado do Paraná, de forma que suas atividades já não possam onerar o Estado, bem como o de suspensão de qualquer pagamento estatal a tal empresa". Alegou ainda que as investigações do Gaeco não seriam prejudicadas, uma vez que foi deferida, por exemplo, a medida de quebra de sigilo dos dados telefônicos e telemáticos dos aparelhos eletrônicos dos suspeitos.
Alegando ser parente de Beto Richa, Abi conseguiu do juiz da Vara de Execuções Penais de Londrina (VEP), Katsujo Nakadomari, uma sala de Estado Maior (no Corpo de Bombeiros), privilégio exclusivo para advogados. Abi seria solto ainda na noite de ontem.
Permanecem presos o advogado João Carlos Lucca; o suposto dono da Providence, Ismar Ieger, e o empresário Paulo Midauar; e o sócio de Abi, Roberto Tsuneda. O então diretor do Departamento de Transporte Oficial (Deto), Ernani Delicato, está foragido.

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