BRASÍLIA - O juiz da 10ª Vara Federal, Pedro Paulo Castelo Branco, poderá pedir o bloqueio e sequestro do dinheiro que Paulo César Farias teria depositado no exterior. O juiz vai analisar semana que vem os documentos recolhidos na Itália pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Milton Seligman, que apontam indícios de que o ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor enviava dinheiro do Esquema PC para bancos italianos e suíços. O governo brasileiro decidiu manter total sigilo sobre as investigações do envolvimento de PC com a máfia italiana.
O processo de bloqueio das contas de PC no exterior vai começar pela 10ª Vara Federal, onde PC Farias foi condenado a quatro anos de prisão, há cerca de cinco anos. Caso encontre algum indício sobre a emissão de dinheiro por PC para o exterior nos documentos da polícia italiana, o juiz deverá enviar ao Ministério da Justiça uma carta rogatória pedindo o sequestro do dinheiro de PC Farias.
Mesmo estando em férias, Pedro Paulo Castelo Branco estava ciente das investigações feitas pela Polícia Federal na Itália. Alguns dos delegados que trabalham no caso estiveram reunidos com o juiz, que ainda preside a maior parte dos processos envolvendo o esquema PC. No entanto, tanto Castelo Branco quanto a PF não têm certeza da existência do dinheiro. O juiz, que retorna na segunda-feira ao trabalho, não quer falar sobre o caso até receber a documentação do Ministério da Justiça.
O processo de bloqueio e sequestro dos bens de PC no exterior é semelhante aos já utilizados pelo governo brasileiro nos casos da advogada Jorgina Fernandes e do ex-juiz Nestor Nascimento. O Ministério da Justiça, depois de receber uma carta rogatória da Justiça federal, encaminhou os pedidos para os países onde o dinheiro estava depositado. No caso de Jorgina, o governo brasileiro conseguiu reaver nos Estados Unidos R$ 4 milhões dos R$ 115 milhões desviados da Previdência Social pela advogada. A justiça suíça também liberou a mesma quantia que Nascimento mantinha naquele País.

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