O secretário de Administração de Ubiratã (Oeste), Neri Wanderlind, e o filho dele, Vitor Mayer Wanderlind, servidor municipal, estão afastados das funções no Executivo desde a última sexta-feira, por decisão judicial. Eles continuam recebendo salário. Os dois respondem por improbidade administrativa por suposta fraude em licitação para compra de material de informática para a prefeitura, em 2007 e 2008, que teve como vencedora a empresa de Vitor. Também são réus na ação civil pública o ex-prefeito Fábio de Oliveira D’Alécio e o servidor Rubem Pedro do Amaral.
Na decisão, o juiz substituto Rogerio Tragibo de Campos acatou o argumento do Ministério Público (MP) do Paraná de que, permanecendo nos cargos, Neri e o filho poderiam interferir na produção de provas, especificamente junto às testemunhas que trabalham na prefeitura como subordinadas do secretário. Escreveu o magistrado que o afastamento é necessário "não se estando na seara de meras suposições ou cogitações teóricas, mas, sim, de um quadro concreto em que há fortes evidências de que os requeridos possam influir nas declarações das testemunhas".
Pelos mesmos atos investigados na ação civil pública, Neri e Vitor já foram condenados na esfera criminal a dois anos de prisão, porém, por serem réus primários e por se tratar de crime sem violência, as penas foram revertidas para multa e prestação de serviços comunitários.
O advogado dos acusados, Rogério Carboni, afirmou que vai apresentar recurso contra o afastamento. "Para o afastamento do agente público deve haver um caso concreto de interferência na coleta de provas e não supor que isso aconteça."
Ao decretar o afastamento, o juiz afirma que a defesa não se manifestou no processo. Carboni rebateu. "Por um equívoco, o cartório não juntou a nossa tese ao processo e o juiz acabou induzido ao erro."

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