A Justiça Federal de Maringá decide hoje se o ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi permanece preso ou será libertado para responder aos processos. Paolicchi está preso numa cela especial do 4º Batalhão da PM. O pedido de relaxamento da prisão foi feito pelos advogados na terça-feira passada, logo após o interrogatório de Paolicchi. O juiz federal Anderson Furlan Freire da Silva também deve decidir hoje se o ex-secretário irá ou não a Curitiba para acareação com Hissan Hussein Dehaini, de Araucária, acusado de tráfico, e com o traficante José Maria Menezes Montalvão. A acareação foi pedida pela CPI estadual das Drogas.
Hussein é acusado de ser um dos principais traficantes do Paraná e teria feito com Paolicchi diversos negócios, como a venda de um helicóptero para o ex-secretário. Montalvão, condenado por tráfico, também teria citado algumas vezes o nome de Paolicchi durante depoimentos prestados à CPI. A defesa de Paolicchi não aceitou a acareação, que deveria ter ocorrido na sexta-feira, quando a CPI tentou se instalar em Maringá. Os advogados alegam motivos de segurança e preservação da imagem do cliente e não aceitam a ida de Paolicchi a Curitiba.
Paolicchi responde a processo por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e peculato, além de ser réu na Justiça comum por improbidade administrativa. Foragido por cerca de dois meses, ele foi preso no dia 7, pela Polícia Federal, em Florianópolis. Transferido para Maringá, ele ficou em um quarto do quartel dos Bombeiros, mas desde o dia 12 está no 4º BPM.
Paolicchi é acusado pelo desvio de R$ 3,1 milhões dos cofres da prefeitura, mas o Tribunal de Contas já levantou um rombo de R$ 36 milhões nos últimos três anos. Junto com Paolicchi, o prefeito afastado de Maringá, Jairo Gianoto (sem partido) também responde processo por improbidade administrativa. Os advogados de Gianoto conseguiram suspender a Comissão Processante da Câmara para apurar a conduta e cassar o prefeito.
Durante o interrogatório na Justiça Federal, Paolicchi disse que desviou dinheiro da prefeitura porque era pressionado pelo então prefeito Said Ferreira (sem partido) e depois por Gianoto. Mesmo com este argumento, o ex-secretário não conseguiu justificar a origem do seu patrimônio de mais de R$ 20 milhões que inclui uma mineradora de água, um avião Lear Jet, oito fazendas em Nova Mutum (MT), apartamentos e carros. O ex-secretário recebia um salário de R$ 4 mil mensais. Fontes asseguram que os desvios em Maringá alcançam R$ 100 milhões.

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