Curitiba - O presidente eleito da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), o juiz Frederico Mendes Junior, disse que o aparelhamento do primeiro grau de jurisdição e a construção de novos fóruns, principalmente no interior do Estado, serão seus principais desafios à frente da instituição. Natural de Maringá, onde atua no Judiciário, ele concorreu pela chapa única "Combatividade, Coragem e União", que recebeu 585 votos nas eleições realizadas sexta-feira. Mendes Junior era candidato único e assumirá a entidade no dia 31 de janeiro de 2014. No total, votaram 617 magistrados. Foram registrados ainda quatro votos nulos e 28 em branco. Com mais de 1.200 associados, a Amapar é a entidade representativa dos juízes e desembargadores paranaenses.
"A associação tem, de um lado, uma pauta corporativa, que são os direitos e garantias dos magistrados, mas de outro um compromisso com a sociedade. A gente vai se aplicar para que cada vez mais o nosso serviço seja eficiente, de qualidade", afirmou.
Entre os investimentos previstos pela nova diretoria está a construção de um novo fórum criminal em Londrina, que ofereça mais conforto "e menos problemas" à população. "O prédio atual é muito antigo e já não comporta o volume de trabalho", explicou Mendes Junior. Não há, porém, um prazo para o início das obras, que dependem de negociações com o Tribunal de Justiça (TJ) para saírem do papel.
Atual vice-presidente da Amapar e ex-juiz auxiliar da presidência do TJ na gestão do desembargador Miguel Kfouri Neto, o magistrado também falou que, entre 2011 e 2012, já houve uma iniciativa de se investir maciçamente nas comarcas. "Foram criados mais 180 cargos de juiz, todos no primeiro grau de jurisdição, o que representou aumento de 25%. Também foram contratados mais de dois mil servidores. Ainda assim, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) considerou que os esforços eram insuficientes e pediu continuidade no foco", contou. Em outubro, o corregedor nacional de Justiça, Francisco Falcão, declarou que, nas correições realizadas no Paraná, no Piauí e na Bahia, encontrou a Justiça de primeira instância "sucateada".
Em relação à crise do Judiciário paranaense, desencadeada com o afastamento de Clayton Camargo do TJ e do filho do desembargador, Fabio Camargo, do Tribunal de Contas (TC), o presidente eleito da Amapar afirmou que, como os processos correm em segredo de Justiça, não pode emitir uma opinião direta sobre os casos, mas que, "devagarzinho, as coisas serão colocadas nos trilhos".
"Foi um momento de turbulência no nosso Judiciário. Toda a magistratura e todos os juízes foram alvo de generalizações, sendo que somos os primeiros a serem favoráveis à apuração, desde que respeitada a ampla defesa e o contraditório", disse. "Agora que temos uma nova administração no TJ, acredito que podemos esperar dias melhores", completou.

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