Curitiba - O policial civil Délcio Rasera foi solto ontem, por volta das 16h30, mas um ofício assinado pelo juiz da Vara Criminal de Campo Largo, Gaspar Luiz Mattos de Araújo Filho, pode complicar sua liberdade. Rasera, que estava preso há mais de 300 dias de forma preventiva, conseguiu liberdade anteontem a partir de uma decisão do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Ontem, no entanto, durante o cumprimento do alvará de soltura, o juiz Mattos de Araújo Filho decidiu conceder liberdade provisória, o que implica em restrições ao ex-preso, como, por exemplo, não portar arma de fogo e não permanecer em vias públicas após 22 horas. Rasera responde a um processo na Vara Criminal de Campo Largo por interceptações telefônicas clandestinas, quadrilha armada e advocacia administrativa.
Um dos advogados de Rasera, Alexandre Salomão, explicou que o juiz de Campo Largo, ao tomar conhecimento da decisão do TJ, deveria apenas dar prosseguimento ao processo de soltura, sem necessidade de conceder liberdade. ''O ofício (do juiz) não representa nada. Ele só tinha que cumprir com a decisão do TJ. Agora é uma dupla liberdade para uma única prisão.'' Salomão acrescentou que liberdade provisória é concedida apenas quando a prisão foi feita em flagrante. ''O Rasera não foi preso em flagrante. Não entendi.''
Salomão ressalta que, de qualquer maneira, é a decisão do TJ que irá prevalecer. Pelo acórdão do TJ, Rasera se obriga agora apenas a comparecer aos atos do processo. A Reportagem tentou insistentemente falar com o juiz Mattos de Araújo Filho, sem sucesso.
O fato de não poder portar arma de fogo, no caso da liberdade provisória, poderia complicar a vida de Rasera, que agora pretende voltar às suas atividades como policial civil. A informação foi confirmada ontem por Rasera, que concedeu breve entrevista à imprensa na saída da prisão. ''Sou inocente e agora preciso cuidar da minha família, que está precisando de mim. Estou bastante arrebentado, em função das tragédias da vida, que aconteceram durante os dez meses que eu fiquei aqui.'' Rasera disse que não poderia falar sobre o processo que corre contra ele em Campo Largo, que corre em segredo de Justiça.
Rasera foi denunciado pelo Ministério Público (MP) do Estado em setembro do ano passado apontado como ''comandante'' de um esquema de escutas ilegais. Ao ser preso, Rasera estava lotado na Casa Civil, do Governo do Estado. Ele também responde a outro processo por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.

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