Curitiba - O futuro ministro da Justiça minimizou as suspeitas envolvendo aliados do presidente eleito. O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que deve comandar a Casa Civil, é acusado de receber doação em forma de caixa 2 pela empresa JBS. Já Paulo Guedes, que ocupará a superpasta da Economia, é alvo de uma investigação na Procuradoria da República no Distrito Federal, que apura fraudes na gestão de fundos de pensão por ele administrados.
"Eu desconheço essas investigações. Do que tenho notícia, me parecem muito incipientes. Não posso afirmar se têm consistência. Na atual fase não é possível emitir qualquer juízo de valor. Mas Guedes me pareceu uma pessoa bastante dedicada e competente", afirmou Sergio Moro. Sobre Lorenzoni, disse ter "grande admiração". "Ele foi um dos poucos defensores do projeto das dez medidas contra a corrupção na Câmara". Ainda de acordo com o juiz, ninguém vai ser "protegido de nada". "Não vou adotar posturas de governos anteriores de interferir em possíveis investigações".
Para o magistrado, as declarações de Bolsonaro em relação às comunidades negra e LGBT, bem como a opositores, caso do "vamos fuzilar a petralhada", ficaram no passado. Ele repetiu algumas vezes que considera o presidente eleito uma pessoa "moderada" e "ponderada". "Há uma situação de declarações pretéritas, mas estamos olhando para o futuro. Quais são as propostas concretas do governo que, por exemplo, afetam ou ofendem minorias? Não tem no presente nenhuma."
Segundo Moro, se surgir "alguma proposta governamental" que seja mais discutível nesse aspecto, é plenamente possível abrir o debate. "Existe alguma política persecutória contra homossexuais ou homoafetivos? Não existe a possibilidade de isso acontecer. É zero", assegurou. O juiz também afirmou que não tem nenhuma pretensão de seguir carreira eletiva. (M.F.R.)

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