Preso cautelarmente por supostamente ter praticado crimes de formação de quadrilha e peculato, o vereador de Apucarana (Norte) Alcides Ramos Júnior (DEM) teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, sob a acusação de abuso do poder econômico e compra de votos. Em sentença proferida ontem, o juiz da 28 Zona Eleitoral, José Roberto Silvério, também aplicou multa de R$ 21,2 mil e declarou a inelegibilidade de Ramos até 2020. Porém, o magistrado ressalva que sua decisão não tem efeito imediato: as sanções somente serão aplicadas após decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ou do Tribunal Superior Eleitoral.
Ramos foi acusado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) de comprar votos por meio de medidas assistencialistas, como pagamento de exames, cirurgias, cestas básicas, oferecimento de churrascos, e também utilizando-se da estrutura da Câmara Municipal. À época, Ramos Júnior era o presidente do Legislativo. Uma das testemunhas do processo confirma que particulares lavavam seus veículos e quem pagava era a Câmara. Também consta do processo que eleitores eram transportados para consultas médicas em veículos oficiais do Legislativo.
Para o juiz, ''evidentemente que tais abusos não só trouxeram desigualdade aos demais vereadores também candidatos à reeleição, mas principalmente a todos aqueles que concorreram ao pleito de vereador em 2012, e não tinham as mínimas condições de concorrer com candidato com tamanha estrutura eleitoral''.
Além dos depoimentos de testemunhas, a condenação se baseia no conteúdo de escutas telefônicas feitas pelo MP quando investigava o ex-presidente da Câmara criminalmente.
O advogado de Ramos Júnior, Guilherme Gonçalves, disse acreditar que o TRE irá reverter a sentença. ''Se esta leitura de que assistencialismo é motivo para cassar mandato, não sobra um vereador no Brasil. Acredito que vamos conseguir a reforma da decisão.''

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