Juiz bloqueia terreno que prefeito doou a si mesmo
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terça-feira, 18 de setembro de 2001
Cristiane Oya <br> De Londrina 
O juiz da Comarca de Cantagalo (80 km a oeste de Guarapuava), Rodrigo Fernandes Talledoni, concedeu ontem liminar à ação popular ajuizada por 15 moradores, denunciando irregularidades na doação de um terreno durante a administração do ex-prefeito João Konjunski (PSDB). A área foi dada à empresa do próprio Konjunski, em 2000.
O juiz determinou o bloqueio do terreno de 13 mil metros quadrados e acatou a manifestação do promotor Fábio Lourenço, que pediu a inclusão do município e dos vereadores da legislatura passada como réus na ação. ''O município que fez a doação e os vereadores que votaram a favor da lei'', justificou o promotor.
O terreno, localizado na área urbana da cidade, foi doado pela prefeitura para a empresa de Konjunski no dia 13 de novembro de 2000, através de um projeto de autoria do Executivo aprovado pela Câmara. Conforme o promotor, apesar da concessão da liminar, ainda é cedo para afirmar que houve irregularidades. ''Eu não quero adiantar. Há indícios de irregularidades mas não posso dizer que está comprovada.''
A ação popular pede a devolução do imóvel ao município. ''Sobre esse fato, ainda há outras consequências estão sendo estudadas. Talvez eventuais consequências penais e improbidade administrativa'', complementou Lourenço.
A Folha tentou entrar em contato com um dos autores da ação, o agricultor Almir Antônio de Ross, mas ele não foi localizado. O ex-prefeito não retornou as ligações.
O promotor também está averiguando outras denúncias de irregularidades na administração passada encaminhadas pela auditoria do município. Lourenço disse que se verificadas as irregularidades, serão objeto de investigação


