Em mais uma ação civil pública decorrente da Operação Publicano, o Ministério Público (MP) acusa 19 auditores da Receita Estadual de Londrina e dez donos ou sócios de cinco empresas do ramo alimentício, além das empresas, por improbidade administrativa. Ajuizada em 5 de agosto, a ação teve a liminar de indisponibilidade de bens deferida pelo juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública, Emil Tomás Gonçalves, que, em 9 de agosto, bloqueou valores milionários de parte dos envolvidos. Em alguns casos, o valor bloqueado passa dos R$ 3,5 milhões. A quantia bloqueada varia conforme a participação e o quanto cada envolvido teria recebido como propina.
Entre os auditores, são requeridos os que diretamente teriam exigido vantagem indevida dos empresários sonegadores e os que fariam parte da alta cúpula e receberiam parte de tudo o que era arrecadado como propina. É o caso de Márcio de Albuquerque Lima, ex-delegado em Londrina e ex-inspetor geral de Fiscalização da Receita do Paraná, apontado pelo MP como líder da organização criminosa.
Quanto às empresas do ramo alimentício (setor que já foi alvo da décima ação por improbidade), seus representantes teriam pago pelo menos R$ 700 mil em propina para agentes corruptos da Receita, conforme consta da ação, assinada pelos promotores Renato de Lima Castro, Jorge Barreto da Costa e Leila Schimiti.
No primeiro caso, representantes de uma empesa do setor frigorífico, de Jaguapitã, teria sido achacada em R$ 200 mil. Para ser autuado em valor irrisório, já que haveria, de fato, sonegação fiscal, os responsáveis pagaram R$ 100 mil. Outro caso é de uma fabricante de refrigerantes, em Cambé, da qual teria sido exigido propina de R$ 300 mil e cujo dono teria, de fato, pago R$ 200 mil para o auditor corrupto. No caso da única empresa de Londrina que consta da ação, uma fabricante de doces, a propina paga chegou a R$ 150 mil.
Os últimos dois fatos se referem a indústria de Arapongas que teria pago R$ 200 mil a auditor da Receita, também para evitar multa fiscal; e a uma fabricante de sorvete, de Guaraci, cujo acordo de propina seria de R$ 60 mil.
Nos três primeiros casos, os sócios das empresas admitem que pagaram as propinas e fizeram acordo de delação premiada. Em consequência da colaboração, os bens das empresas e dos sócios não foram indisponibilizados.
Já o principal delator do esquema corrupto na Receita, Luiz Antonio de Souza, e também sua irmã, a auditora e delator Rosângela Semprebom, que, nas primeiras ações tinham os benefícios da colaboração premiada, agora, assim como a maioria dos requeridos, tiveram os bens bloqueados. É que o acordo de delação premiada que tinham com o MP foi rescindido em razão das investigações da quinta fase da Operação Publicano, que apontaram reincidência na prática de crimes pelos irmãos.
A Operação Publicano foi deflagrada em 20 de março do ano passado e, na esfera penal, envolve 72 auditores da Receita Estadual, notadamente de Londrina e de Curitiba, onde estaria a suposta cúpula da organização criminosa. São cinco ações penais e 11 ações por improbidade administrativa. Neste caso, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público optou por dividir as ações conforme o ramo de atividade das empresas envolvidas. Até agora, já há ações relativas ao setor cafeeiro, de alimentação, calçadista, moveleiro, têxtil e de veículos.

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