Juiz bloqueia bens de Alex Canziani
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O juiz da 6ª Vara Cível de Londrina, Celso Seikiti Saito, decretou ontem a indisponibilidade de bens do deputado federal Alex Canziani (PSDB) e de outras 14 pessoas denunciadas por improbidade administrativa em ação civil proposta pelo Ministério Público (MP) entre elas, o irmão do deputado, Ivan Canziani, e o prefeito cassado de Londrina, Antonio Belinati (sem partido). Segundo a denúncia, na campanha eleitoral de 1998, Alex recebeu R$ 78,8 mil desviados da Prefeitura de Londrina em licitação fraudulenta. O valor não foi declarado à Justiça Eleitoral.
Em seu despacho, Saito comentou: Os fatos, pelo seu conjunto anunciado, justificam a decretação de indisponibilidade de bens de todos os réus. Em primeiro, porque se pela sentença final o pleito inicial vier a ser julgado procedente, implicará na obrigação aos mesmos de ressarcir o tesouro municipal ao pagamento de indenizações cabíveis, além de outras sanções. Em segundo, porque para evitar que os bens dos réus venham a ser alienados, a sua indisponibilização constitui em solução necessária e adequada nesta fase.
A ação civil é resultado de uma medida cautelar proposta em maio deste ano pelos promotores que investigam o caso AMA-Comurb. Um dos réus é a empresa AGE Assessoria e Serviços Gerais de Engenharia Ltda., que teria sede na cidade de São José (SC). O MP apurou que endereço é frio. A AGE venceu em agosto de 98 uma licitação na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb atual CMTU) para executar a elaboração dos estudos de engenharia e apresentação de serviços de assessoria técnica para implantação de linhas seletivas de transporte seletivo.
O serviço, no entanto, nunca foi realizado. O contrato com a AGE custou R$ 148,9 mil e a primeira parcela, de R$ 78,8 mil, foi depositada na conta pessoal do sócio Carlos Lucidário Trindade. De lá, o valor foi transferido para conta de Arion Cruz Santos, representante da Esteio Engenharia, de Curitiba os donos da Esteio seriam os mesmos da AGE. De acordo com a ação, Arion entregou o cheque para o ex-diretor da Comurb, Eduardo Alonso, que o repassou para Ivan Canziani. O valor seria para pagar despesas da campanha conjunta de Alex e do então candidato a deputado estadual Antônio Carlos Belinati (sem partido).
Ontem, Alex disse que recebeu a decisão do juiz com tranquilidade e antecipou que não pretende recorrer. Não esperava outra posição do juiz que não fosse essa. Ele reafirmou que fez dobradinha com o deputado Antônio Carlos e que não sabia que o dinheiro tinha origem ilícita. Disse também que não declarou os R$ 78,8 mil à Justiça Eleitoral porque entendeu que essa informação deveria ser prestada pelo próprio Antônio Carlos. O deputado federal acrescentou que seus sigilos fiscal, bancário e telefônico e de sua família estão à disposição do MP.


