Juiz autoriza depoimentos da Lava Jato no exterior
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quinta-feira, 06 de novembro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - A Justiça Federal do Paraná autorizou a realização de depoimentos de sete pessoas no exterior que tiveram algum tipo de envolvimento nas operações irregulares realizadas por empresas de Alberto Youssef, alvo das investigações da operação Lava Jato. Os testemunhos foram solicitados pela defesa de João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como um dos "laranjas" do doleiro e operador de várias contas.
Prado foi preso em São Paulo no final de junho após autoridades suíças bloquearem cerca de US$ 5 milhões em contas ligadas a ele. Conforme a ação penal que tramita na Justiça, Youssef liderava um grupo criminoso dedicado à prática de crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e Prado seria o responsável pela administração e movimentação das contas no exterior utilizadas pelo grupo. Entre os fatos apresentados pelo MPF, consta a evasão, entre junho de 2011 e março deste ano, de US$ 78,2 milhões mediante 1.114 contratos de câmbio para pagamento de importações fictícias envolvendo as empresas off shores DGX Imp. and Exp. Limited e RFY Imp. Exp. Ltda.
A Justiça inclusive já oficializou pedidos de cooperação jurídica internacional com os países onde os depoimentos serão realizados: Suíça, Reino Unido, Hong Kong, Panamá e Cingapura. Conforme decisão do juiz federal Sérgio Moro, "solicita-se que as autoridades do País requerido promovam a oitiva e colheita do depoimento da testemunha referida, com o posterior envio de seus depoimentos à 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba".
Além disso, o magistrado ressalta que "os depoimentos devem ser tomados por autoridades judiciárias e, como há acusados presos, solicita-se que sejam colhidos o mais rápido possível, com o envio deles tão logo se tornem disponíveis, se possível em prazo não superior a 60 dias".
Duas pessoas serão ouvidas em Cingapura: Martin F. de Cruz, que é citado pela Polícia Federal como "pessoa responsável por criar as empresas Savoy Trading e Onix, e que teria participado das operações aparentemente ilícitas"; e Leenah Ng, que, segundo a investigação, tem relações com as transações ocorridas na empresa Savoy, e também supostamente com João Procópio.
Na Suíça vão prestar depoimentos Alessandro Seralvo e Eric Kunz, funcionários do banco PKB, que são citados nas investigações como pessoas que manipularam dados, contas e informações que foram base para a acusação feita pelo MPF. Já no Panamá será ouvida Ida A. de Rodriguez, responsável pelas empresas Elba Services Ltda. e Solvang Holdings Ltda, Thingrass Services LLP, tendo mantido relações com o acusado João Procópio e, segundo as investigações, sabendo detalhes de todas as operações ilícitas realizadas.
No Reino Unido, Michael Reason, advogado responsável pela estruturação das empresas Santa Clara e Santa Tereza, que também são objeto da denúncia, vai prestar depoimento; e em Hong Kong, Wyman Leung, que é citado na investigação como responsável por algumas transações financeiras de pessoas jurídicas.
Além de Youssef e Prado, também são réus nesta ação a doleira Nelma Mitsue Kodama, Leonardo Meirelles, Leonardo Meirelles, Antônio Manuel de Carvalho Baptista Vieira, Matheus Oliveira dos Santos e Rafael Ângulo Lopez.


