Juiz autoriza a quebra de sigilo de embaixador
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quarta-feira, 28 de janeiro de 1998
Agência Estado 
Gomes dos Santos: conversas incriminadoras e renda sob suspeitaO juiz da 12ª Vara Federal de Brasília, Marcos Vinícios Reis Bastos, autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal do embaixador Júlio César Gomes dos Santos - ex-chefe de Cerimonial do Palácio do Planalto -, da namorada dele, Flávia Correia Lima, e do empresário José Afonso Assumpção, dono da Líder Táxi-Aéreo. A quebra do sigilo, confirmada ontem por fontes do Poder Judiciário, foi requerida pelos procuradores da República no Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza e Adriana Costa Brockes, há um mês.
Santos, atual representante do Brasil na Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), com sede em Roma, na Itália, é suspeito de ter usado influência para tentar beneficiar a empresa americana Raytheon, encarregada de executar o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam).
Em 13 gravações feitas pela Polícia Federal (PF), o ex-chefe de cerimonial do Palácio do Planalto aparece falando sobre o Sivam com Assumpção, representante da Raytheon no Brasil.
Os procuradores querem averiguar se os ganhos que Santos tinha na época eram condizentes com o modo de vida dele. Além disso, os procuradores pediram que a PF faça uma nova investigação sobre a viagem feita pelo embaixador aos Estados Unidos, quando ele usou num jatinho da Líder Táxi-Aéreo. O Ministério Público (MP) requereu e conseguiu autorização da Justiça Federal para que as contas bancárias e as declarações fiscais de Assumpção e da Líder sejam investigadas.
A PF também definiu os novos caminhos para recomeçar as investigações sobre o Caso Sivam, que está parado desde março. Para o MP, é necessário que a PF ouça o depoimento do brigadeiro Ivan Frota, autor do projeto Sivam, e de um motorista da Líder, cujo nome ainda é desconhecido.


