As denúncias apresentadas pelo Ministério Público contra o comadante afastado do Corpo de Bombeiros de Foz do Iguaçu, major Trevile de Serpa Sá, já estão nas mãos do juiz da 4ª Vara Cível de Foz, Lourenço Cristovan Chemin. Para esclarecer as possíveis irregularidades, que somariam mais de R$ 115 mil, o acusado ofereceu à Justiça a quebra dos sigilos bancário e fiscal.
A ação civil pública foi ajuizada anteontem por quatro promotores, entre eles Renan Gabardo Fava. As investigações apontam o uso indevido de R$ 110 mil do Fundo de Reequipamento dos Bombeiros (Funrebom). Segundo o MP, foram gastos R$ 80 mil na reforma da casa onde o ex-comandante morava. Outros R$ 30 mil teriam sido usados para compra de móveis.
Fava destacou um dos itens adquiridos pelo major: um televisor de 29 polegadas que teria sido superfaturado. O aparelho, que pode ser encontrado por R$ 900 no mercado, foi adquirido por R$ 2.079. O promotor observou que o Funrebom teria sido usado também para quitar as despesas de Serpa durante sua ausência da casa em reformas. Notas que comprovam a hospedagem do major no Hotel da Vila Militar totalizam R$ 5 mil.
As novas denúncias do MP reforçam as registradas no início de setembro, quando o comandante foi afastado do cargo depois de flagrado usando caminhonete e barco oficiais em uma pescaria. Notas fiscais destinadas a ''Corpo de Bombeiros - Major de Sá'', seriam mais provas do uso de dinheiro público para fins particulares, entre elas a compra de cerveja, vodka e licor, além de 200 quilos de peixe. Na época, Serpa disse que as compras foram feitas para promover recepção às autoridades que visitam a corporação.
Para o advogado do comandante afastado, Antonio Augusto Figueiredo Bastos, não há irregularidade nas notas e no uso do fundo, já que a casa pertence a corporação e é mantida pelo comando. Bastos informou ainda que as contas foram fiscalizadas e aprovadas pelo Tribunal de Contas. ''Não houve qualquer desvio do dinheiro para uso particular'', frisou o advogado. Além da devolução do dinheiro, a ação do MP pede a cassação dos direitos políticos de Serpa e destituição da função pública.

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