Juiz Amaral fazia
investigação por
‘‘conta própria’’
Carlos Velloso também criticou os juízes brasileiros que se envolvem na investigação de crimes, como o mato-grossense Leopoldino Marques do Amaral, assassinado há um mês no Paraguai. O juiz estava investigando supostos atos de corrupção de desembargadores do Tribunal de Justiça daquele Estado, denunciados por ele próprio à CPI que apura irregularidades do Judiciário, no Senado. ‘‘Isso não é tarefa de juiz’’, afirmou.
Segundo o presidente do STF, o juiz Amaral estava fazendo a investigação por conta própria, ‘‘não como juiz’’. ‘‘Nós não temos no Brasil, e eu achava até que deveríamos ter, o juizado de instrução. Geralmente, aqueles que por acaso confessaram na polícia se retratam na Justiça’’. Para ilustrar, Velloso se refere ao caso do enfermeiro do Rio, acusado de matar doentes terminais. ‘‘Ele confessou que ganhava uma comissão de uma funerária por defunto. Isso tudo foi esclarecido e confessado na polícia. Quando chegou em juízo, ele negou tudo. Daí porque eu sustento a tese de que deveríamos ter juizados de instrução.’’
Velloso também se pronunciou contra o fim da Justiça do Trabalho, defendida pelas propostas de parlamentares contidas em relatórios da CPI do Judiciário. Segundo ele, a Justiça do Trabalho representa uma conquista social. ‘‘Seria um absurdo a extinção’’. Mas ele defende a extinção da representação classista: ‘‘Isso está correto. Eles já prestaram seus serviços. Hoje não se justifica mais. Não se justifica a existência de um tribunal regional do trabalho em cada região. Penso que deveria extinguir alguns tribunais reduzindo para 15 regiões. Estou até sendo pródigo.’’ (A.E.)

mockup