O juiz da 3ª Vara Cível de Londrina, Vitor Roberto Silva, disse ontem que não tem conhecimento oficial sobre o relatório da auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TC), apontando irregularidades na venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel.
O juiz havia solicitado informações ao TC sobre o processo administrativo envolvendo a transação e disse que o pedido inicial foi de uma das partes de uma ação movida pela Associação dos Proprietários de Linhas Telefônicas (Aprotel) contra Sercomtel. Os proprietários pediram a anulação da venda, a inclusão deles como acionistas da empresa ou ainda uma indenização.
O juiz esclareceu que suspendeu temporariamente o processo até que o Tribunal de Justiça (TJ) tenha uma decisão sobre outra ação na 10ª Vara Cível e que também questiona pontos da transação entre Sercomtel e Copel. O processo na 10ª Cível foi movida pelo Ministério Público (MP), que apontou irregularidades na contratação de uma empresa de consultoria pela Sercomtel.
O advogado da Aprotel, Ronaldo Neves, também ingressou com uma ação e – por conexão – os processos foram juntados. Segundo ele, na 1ª Vara Cível também havia outro processo pedindo liminar para suspender a venda das ações da empresa. A liminar havia sido concedida, mas tambem por conexão, o processo foi encaminhado à 10ª Cível. Mas o juiz Mário Azzolini revogou a liminar e o processo se encontra no Tribunal de Justiça do Estado.
O advogado acredita que as irregularidades sobre a venda das ações da Sercomtel para a Copel só estão sendo investigadas agora. ‘‘Sempre disse que quando abrissem a caixa preta da Sercomtel, as coisas começariam a aparecer’’.
Segundo Neves, o escândalo AMA/Comurb (desvio de recursos públicos através de licitações fraudulentas) é somente a ponta de um iceberg. ‘‘O que são R$ 16 milhões (desvios comprovados pelo MP até agora) comparado a R$ 186 milhões?’’, questionou o advogado.
Além de representar os integrantes da Aprotel, Neves faz a defesa do ex-secretário de administração de Londrina Wilson Mandelli e do ex-presidente da extinta Comurb (atual CMTU), Kakunen Kyosen. Ambos foram denunciados pelo MP por envolvimento nos desvios.

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