Juiz afasta Eloir Valença da Câmara de Vereadores
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sexta-feira, 04 de maio de 2012
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
O vereador Eloir Valença (PHS), indiciado pelo crime de corrupção passiva e formação de quadrilha, teve a prisão temporária revogada, mas, por enquanto, não deve voltar para a Câmara de Londrina. O juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, Luiz Eduardo Asperti Nardi, decidiu pelo afastamento do parlamentar do cargo, por entender que ''o retorno do indiciado ao exercício do mandato de vereador é o único fator de risco concreto que sua liberdade pode oferecer a instrução criminal''.
Desta maneira, o magistrado atende, parcialmente, o pedido feito pelo delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, de prisões preventivas de Valença, do diretor de Participações da Sercomtel, Alysson Tobias de Carvalho, e do chefe de Gabinete do prefeito Barbosa Neto (PDT), Rogério Lopes Ortega, detidos desde terça-feira. Estes dois últimos vão seguir presos preventivamente.
Com base no inquérito policial finalizado pelo Gaeco na quinta-feira, o juiz apontou a necessidade do afastamento de Eloir da função pública de vereador ''enquanto perdurar a ação penal'', para evitar prejuízos à investigação, ''na medida em que o delito de corrupção passiva em tese praticado só pode se dar em razão da função pública''. A medida é uma pena alternativa à solicitada pelo delegado do Gaeco.
Valença passou apenas algumas horas na unidade II da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Desde terça-feira, ele estava no Hospital do Coração e foi transferido para a PEL II apenas ontem pela manhã. Ele deixou a cadeia no começo da noite. Já Alysson, que estava na PEL II desde o último dia 1º, foi transferido na madrugada de ontem para o Hospital do Coração com um quadro de hemorragia digestiva. Boletim médido divulgado pelo hospital informa que ''a causa provável do problema é o alto grau de estresse vivido pelo paciente'' e que a internação pode durar de três a quatro dias.
O livre acesso que os indiciados Ortega e Alysson sempre tiveram aos poderes públicos, como prefeitura e Câmara, representa, no entendimento do juiz, ''a possibilidade concreta de interferência ilícita na produção e coleta de provas''. Conforme já informado pelo Gaeco, houve desmembramento do inquérito, com o objetivo de apurar se os suspeitos teriam praticado anteriormente o crime de compra de votos em outros projetos de interesse do Executivo, como a alteração da Lei da Muralha e o ''perdão'' de dívidas da Unopar.
O advogado de Ortega, João dos Santos Gomes Filho, alegou ter ficado surpreso com o decreto de prisão preventiva de seu cliente. ''Eu já achei uma violência ter decretado a prisão temporária, essa então, nem tenho como definir. Não há justificativa legal que sustente a prisão preventiva do Rogério. Segunda-feira já entro com pedido de habeas corpus.'' O advogado de Alysson, Carlos Nardeli, não foi localizado pela reportagem.
Segundo o advogado de Eloir Valença, Rafael Pio Mello, a defesa vai recorrer contra o afastamento do vereador. ''Na decisão ficou claro que não havia prova contra Eloir e por cautela o juiz o afastou do cargo, mas quanto a isso vamos recorrer ao Tribunal de Justiça.'' A assessoria de imprensa da Câmara informou que o suplente da coligação PT/PHS é o petista Lourival Germano. A Casa ainda não foi notificada da decisão da Justiça. Eloir, Ortega, Alysson, o ex-secretário de Governo Marco Cito e o empresário Ludovico Bonato foram indiciados pelos crimes de formação de quadrilha (pena de 1 a 3 anos de reclusão) e corrupção (de 2 a 12 anos).


