A Justiça Eleitoral determinou ontem o afastamento do delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel, Haroldo Davison, de qualquer intervenção como autoridade no processo eleitoral em curso. O juiz Sérgio Kreutz acatou pedido dos quatro promotores eleitorais. Eles alegaram que o afastamento é necessário para ‘‘lisura, transparência, tratamento igualitário e tranquilidade do pleito’’. A Justiça também acatou pedido do Ministério Público (MP) para investigação sobre suposto envolvimento do delegado na campanha em favor do candidato a prefeito Tiago de Amorim Novaes (PTB).
Os promotores são Marlene Armiliato, Hirmínia de Matos, Carlos Choinski e Carlos Bachinski. Eles alegaram que Davison fez declarações públicas de apoio a Tiago, que é deputado estadual e se apresenta sempre como ‘‘defensor da segurança pública’’.
Na semana passada, o delegado se pronunciou publicamente sobre um inquérito para apurar suposto armazenamento de cestas básicas em um barracão de propriedade de uma emissora de rádio (‘‘Capital’’), para ‘‘compra’’ de votos de eleitores pobres.
A emissora arrecadou as cestas em uma gincana e deveria distribuí-las às famílias carentes depois da eleição, segundo sustentou sua direção. Davison, no entanto, classificou que a arrecadação se constituiu em ‘‘verdadeiro estelionato eleitoral’’, porque as cestas já estariam sendo distribuídas para beneficiar o candidato a prefeito Edgar Bueno (PDT) e o candidato a vereador Marcos Damaceno (PDT). Davison havia avocado para si inquérito sobre o caso, instaurado com a detenção de dois rapazes com três sacolas de alimentos. Nas sacolas, havia santinhos de Damaceno (no verso, Bueno).
Incialmente, os rapazes sustentaram que haviam comprado os alimentos, encontraram os santinhos jogados e os colocaram nas sacolas. Eles deram as declarações a um delegado de plantão na 15ª SDP. Horas depois, um deles foi interrogado pela segunda vez, por outro delegado, e teria mudado a versão, dizendo ter sido contratado para distribuir as cestas ‘‘por um tal de Roberto’’, que estaria a mando da coligação de Bueno. A Justiça, no entanto, determinou o arquivamento do inquérito, por não haver nenhuma comprovação de crime eleitoral.
Mesmo assim, os programas eleitorais de Tiago mostraram Davison envolvendo Damaceno e Bueno e apontando o ‘‘estelionato eleitoral’’. Há três semanas, havia sido detido o empresário João Artur Festugatto, com 35 cestas básicas em sua camionete – nela, decalques de Tiago e do candidato a vereador Manoel Pedro dos Santos, ex-superintendente da 15ª SDP. Os promotores frisam que, neste caso, Davison disse que não havia ‘‘qualquer intenção eleitoral’’.
Davison preferiu não comentar a decisão judicial, mas garante que não usa sua condição de autoridade policial para campanha. Anteontem, ele havia dito que na 15ª SDP, ninguém usa bottom de candidato. No entanto, observou que, como cidadão, ‘‘ninguém pode querer nos impedir de ter uma opção, e, se questionado, revelá-la’’.

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