Brasília - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),
ministro Sepúlveda Pertence, avalia que o Poder Judiciário vive atualmente a pior crise de credibilidade.
Preocupado com o atual estágio da Justiça brasileira, Pertence teme
até mesmo que a geração dele não consiga alcançar a recuperação do Poder na sociedade.
Entretanto, ele confia que os novos advogados e magistrados construirão
um Judiciário melhor na caminhada para um Brasil mais justo e democrático.
As preocupações de Pertence foram manifestadas na noite da última sexta-feira, durante solenidade de formatura dos alunos do curso de Direito do Centro Universitário de Brasília (Uniceub), dos quais foi paraninfo. Na oportunidade, o presidente do TSE falou sobre a insatisfação popular com a ineficiência, o custo e a lentidão do funcionamento dos serviços da Justiça.
Pertence lembrou que essa falta de eficiência e o consequente e ''assustador
decréscimo'' de credibilidade na Justiça ajudam a alimentar a predisposição da sociedade quanto às acusações contra os integrantes dela, ''pouco importa se com razão ou por força de interesses contrariados de muitos e da leviandade de tantos outros''.
Conforme o presidente do TSE, a situação vivida pelo Poder Judiciário
''é parte da grande crise de todas as instituições da democracia representativa''.
Segundo Pertence, a fase difícil alcançou dimensões inéditas, as quais,
na análise dele, desdobram-se a cada dia em prismas de ''dramática gravidade''.
''Tenho insistido, reiteradamente, na evidência palmar de que, muito
mais do que os outros Poderes do Estado democrático, o Judiciário cujos agentes não derivam sua investidura do voto popular e periódico e nem devem depender dele , tem sua legitimidade condicionada à credibilidade social de que seja titular'', ressalta.

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