Curitiba O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Nilson Naves, aposta na reforma do Judiciário para transformá-lo em um poder forte e independente. A declaração foi feita ontem, pouco antes da inauguração do novo prédio da Justiça Federal, em Curitiba. O projeto que define as mudanças na estrutura da Justiça ficou tramitando mais de dez anos no Congresso Nacional e agora, segundo Naves, está prestes a ir a plenário no Senado.
''Se não resolver dez dos problemas, irá resolver pelo menos cinco deles'', afirmou o ministro, referindo-se à expectativa com a reforma. Um dos grandes entraves do Judiciário, avaliou, é a quantidade de processos que chegam ao STJ, quando poderiam ser resolvidos em instâncias inferiores.
O ministro lembrou que somente no ano passado o STJ recebeu 200 mil ações, das quais 80 mil se referiam a pedidos de correção monetária do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FTGS). A grande preocupação é desemperrar os processos porque enquanto eles estão no STJ as partes envolvidas ficam impedidas de resolver suas questões.
De acordo com Naves, a reforma dá amplos instrumentos ao Poder Judiciário e especifica, por exemplo, os casos em que cabe recurso a esferas superiores. ''Com isso podemos apressar os processos, prestigiando as decisões da instância ordinária.''
Naves acredita e defende a aproximação entre Justiça e população. ''A função do Judiciário é muito importante. Temos nos preocupado em nos aproximar ainda mais do povo'', declarou, lembrando da criação de juizados especiais também na esfera federal.
Além das garantias formais previstas na reforma, Naves apontou a necessidade de o Judiciário investir em condições dignas de trabalho. O prédio inaugurado ontem, destacou, é resultado dessa preocupação.
O novo prédio tem mais de 34 mil metros quadrados e custou R$ 28,9 milhões. Segundo o diretor do Foro da Seção Judiciária do Paraná, Fernando Quadros da Silva, além da economia que o sistema do prédio irá permitir, a Justiça Federal economizará R$ 100 mil mensais referente aos aluguéis dos prédios ocupados antes. ''Esperamos que essa economia se reverta em novas varas para Curitiba.''

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