Judiciário perde confiança, revela pesquisa
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terça-feira, 11 de novembro de 2003
Mariângela Gallucci<br> Agência Estado 
Brasília - O Judiciário brasileiro é a segunda instituição menos confiável do País, conforme pesquisa realizada em setembro pela Toledo & Associados com 1,7 mil pessoas a pedido do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em situação pior ficou apenas o Congresso Nacional.
As três instituições com mais credibilidade são a igreja, a imprensa e a Presidência da República, de acordo com o levantamento, que foi feito antes da divulgação da Operação Anaconda, investigação da Polícia Federal e do Ministério Público que aponta envolvimento de pelo menos três juízes em um esquema de venda de sentenças judiciais.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, afirmou, por meio de sua assessoria de comunicação, que ficou preocupado com o resultado da pesquisa. Hoje, ele receberá em Brasília a desembargadora Ana Maria Pimentel, presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo. Na semana passada, o TRF mandou prender o juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, suspeito de envolvimento com venda de decisões judiciais .
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nilson Naves, atribuiu o descontentamento da população com o Judiciário, principalmente, à demora na tramitação de processos provocada pelo aumento da demanda após a Constituição de 1988. Ele também reclamou da falta de recursos orçamentários e do número insuficiente de juízes no País, que hoje totalizam cerca de 13 mil. Naves observou que as apurações sobre a Operação Anaconda foram possíveis devido à decisão da Justiça de autorizar as interceptações telefônicas.
Conforme a pesquisa encomendada pela OAB, 39% dos entrevistados têm confiança no Judiciário e 38% não. O levantamento detectou que 37% das pessoas ouvidas confiam no Ministério Público e 28% não. Já 34% dos pesquisados disseram ter confiança no Congresso Nacional contra 46% que afirmaram não confiar na instituição. A campeã em credibilidade foi a igreja. Setenta e quatro por cento dos entrevistados têm confiança na instituição contra 16% que desconfiam.
Indagados sobre as razões para desconfiar do Judiciário, os entrevistados citaram, principalmente, as suspeitas de envolvimento de juízes em escândalos, lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de drogas e o sentimento de que apenas quem é pobre vai para a cadeia.
Após a divulgação do resultado da pesquisa, o presidente do Conselho Federal da OAB, Rubens Approbato Machado, disse que é fundamental a criação de um conselho para exercer o controle externo do Judiciário. ''O povo quer saber o que é o Judiciário e como ele funciona'', afirmou.
''Se a pesquisa fosse feita hoje, a situação seria ainda muito mais grave'', disse Approbato, numa referência ao fato de que o levantamento foi realizado antes da divulgação da Operação Anaconda. ''O Judiciário não pode mais ficar fechado em si próprio'', opinou. Approbato disse que também ficou preocupado com o fato de 52% dos entrevistados terem dito que são favoráveis à pena de morte.


