Judiciário lança campanha para melhorar imagem
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terça-feira, 01 de novembro de 2011
Rubens Chueire Jr. <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), com o apoio do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado e da Associação Nacional dos Magistrados (AMB), lançou ontem, em Curitiba, a campanha Olhos Abertos, com o slogan ''Juiz. Uma Profissão. Uma Vocação. Uma Paixão''. A ideia é melhorar a imagem da categoria junto à população. Coincidência ou não, a campanha está sendo lançada quase um mês depois da polêmica manifestação da corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, que declarou que ''há bandidos escondidos atrás de toga''.
''Convidamos a todos para realmente conhecer o papel dos juízes. É normal que haja uma variação, um desgaste. Até porque o serviço Judiciário tem as suas deficiências. O que não pode é atribuir estas falhas exclusivamente à figura do juiz'', afirma Gil Guerra, presidente da Amapar. Guerra nega, contudo, que a declaração da corregedora do CNJ tenha motivado a campanha no Paraná.
Segundo o presidente da Amapar, a ideia da campanha surgiu há três anos, e se discutia apenas o melhor momento para sua divulgação. Em Reportagem publicada pela FOLHA no último dia 25, Guerra reconheceu que a ''gota da'água'' teria sido a declaração da corregedora. Ontem, contudo, a resposta do presidente da Amapar foi outra. Embora ele continue afirmando que a declaração da magistrada foi ''infeliz'', o ''estopim'' para o lançamento da campanha teria sido a morte da juíza Patrícia Accioly no Rio de Janeiro. ''Foram registradas oito mortes de juízes em cinco anos. É uma situação preocupante, então pensamos em realizar a campanha para aumentar a autoestima do Judiciário'', afirmou ele.
A declaração da corregedora ocorreu durante uma entrevista na qual ela sai em defesa do papel do CNJ, de investigação dos magistrados, já que tal atribuição está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela AMB, uma das entidades que apoia a campanha paranaense.
A campanha, reforçou ele, não é contra o CNJ ou contra a corregedora. ''Quando destacamos se já foi visto alguém ser condenado sem ser julgado (um dos trechos do texto da campanha) não nos referimos aos julgamentos do CNJ, mesmo porque não há no Paraná nenhum juiz condenado pelo órgão. Nós nos referimos a esse primeiro julgamento, o julgamento primário que as pessoas fazem. A polícia prende e o juiz solta. Daí aparecem os questionamentos sobre esta ação. O juiz solta porque temos uma legislação ultrapassada. Então queremos com essa campanha desmistificar este papel atribuído ao juiz. Não quisemos atingir o CNJ nem a ministra'', completou.
Mas, durante o lançamento da campanha, não faltou críticas a Eliana Calmon. ''Quem exerce uma função de alto relevo como a corregedora do CNJ tem que ponderar bem as palavras. Abominamos estas generalizações que foram feitas. Não se pode pegar um detalhe e especular. Não sei se tem um pistoleiro que é juiz, mas não se pode generalizar. A campanha vem para contrapor este ponto de vista, mas de uma forma positiva'', disse Miguel Kfouri Neto, presidente do TJ.
Sobre a campanha, magistrados falam em ''acabar com mitos''. Segundo Miguel Kfouri Neto, a população ''repete mitos que são divulgados na mídia'', ''de que o Judiciário é moroso, que trabalha pouco e ganha muito''. ''Então temos que mostrar às pessoas a realidade'', afirmou ele. O presidente da AMB, Nelson Calandra, tem opinião semelhante: ''Caricaturas que algumas pessoas levam para a mídia não podem ser levadas em consideração''.


