A judicialização das questões eleitorais é vista como uma estratégia de campanha eleitoral para inibir o adversário, segundo análise de cientistas políticos ouvidos pela FOLHA.
O cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Fabrício Tomio diz que, cada vez mais, os candidatos usam a Justiça Eleitoral estrategicamente para tentar restringir a manifestação dos adversários, bloquear apresentação de pesquisas ou impedir a veiculação de matérias em jornais, revistas ou panfletos. "Quanto mais isso passou a ser relevante, tornou-se claramente uma estratégia das principais candidaturas. Se existe (a possibilidade), muitos candidatos usam", diz.
O cientista político avalia que a judicialização não esvazia o debate político, apesar de limitá-lo. "Isso é mais visível nas eleições municipais, quando está nas mãos do juiz eleitoral local."
O professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Cenci considera que a Justiça Eleitoral entra no contexto de estratégia de cada campanha, dentro do entendimento de se a informação pode beneficiar ou prejudicar.
Para Cenci, os candidatos não veem a Justiça Eleitoral como um Poder em si, mas a instrumentalizam ao sabor da conveniência do momento da campanha. "Uma pesquisa pode ser cerceada num momento e liberada depois. O que favorece você deixa, o que prejudica, questiona judicialmente." (L.F.W.)

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