São Paulo - Na avaliação do jornalista Maurício Azêdo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o julgamento do mensalão ‘‘é uma oportunidade que se oferece ao Judiciário de se afirmar perante a sociedade como um dos Poderes empenhado na purificação dos costumes políticos do País e na defesa dos dinheiros públicos’’.
  Azêdo destaca que o STF ‘‘está colocado também diante de um desafio, num momento em que a opinião pública assiste com estupor a indulgência com que têm sido tratados no âmbito do Judiciário os ladrões dos dinheiros públicos’’. Ele assinala que ‘‘o julgamento pode ser um marco e um definidor de caminhos para o conjunto do Judiciário e uma oportunidade ou desafio para a revisão do seu próprio comportamento’’.
  Amaury Portugal, presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Federal em São Paulo, alerta que ‘‘não só o Judiciário como o Congresso estão na mira do povo’’. Ele inclui o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no protesto. ‘‘As instituições estão desacreditadas ao máximo. Poucos confiam no Judiciário ou no Congresso. O quadro de indignação vai ficar mais crítico se não punirem severamente Renan e os mensaleiros. As provas são contundentes, todo mundo sabe. A impunidade desmoraliza e enfraquece as instituições, abala a democracia. O STF levou um ano e 5 meses apenas para decidir sobre a denúncia. Na história do Supremo nunca houve condenação. A sociedade exige que o STF se redima de tudo isso.’’
  ‘‘A tradição no Supremo é digna da confiança da sociedade’’, reage Marco Aurélio Mello, veterano ministro do STF.
  Foro - O julgamento do mensalão no STF reacende a polêmica sobre a prerrogativa de foro - privilégio a que recorrem políticos e administradores públicos que são alvos do Ministério Público. O inquérito dos 40 acusados caiu na esfera de competência do STF porque cita parlamentares e até ex-ministro. ‘‘O mensalão expõe as dificuldades que o foro privilegiado acarreta ao Judiciário, principalmente para os tribunais superiores que não estão preparados para enfrentar ações dessa natureza’’, aponta o procurador de Justiça João Francisco Viegas, que coordena as Promotorias de Justiça da Cidadania - braço do Ministério Público de São Paulo que combate improbidade.
  Viegas estima que o julgamento de mérito do caso ainda vai se arrastar por muitos anos. ‘‘Não adianta apenas o STF receber a denúncia, isso não basta para eliminar a sensação de impunidade no País. O risco da prescrição para alguns crimes é muito grande porque vamos ter muitas marchas e contra-marchas. Na primeira instância o processo teria uma tramitação muito mais rápida.’’ O procurador entende que o julgamento do mensalão ‘‘é um marcador de águas nessa questão tão grave que é a corrupção’’.

mockup